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Jefferson da Fonseca
Coutinho
Enviado especial
Publicação: 09/01/2012 04:00
Voltou a chover pesado na Zona da Mata, região mais surrada pelas águas em Minas. Os rios Pomba e Xopotó, que baixavam com a trégua dos últimos dias, voltaram a fazer crescer o medo entre moradores das regiões mais afetadas com a primeira enchente do ano. Em Guidoval, Ubá, Dona Euzébia, Visconde do Rio Branco, Muriaé e Cataguases – alguns dos municípios mais afetados – os estragos parecem não ter fim. A volta da chuva e as novas cheias dos rios adiam os planos de muita gente que sonhava voltar para casa e recomeçar a vida. À margem dos rios que assombram, ainda são dezenas de restos de casas abandonadas.
Em Guidoval, a passarela flutuante sobre o rio, montada sexta-feira, foi retirada pelo Exército para garantir a segurança da população. Alguns pontos de alagamento também surgiram em ruas, que estavam sendo desobstruídas. Nove famílias da Fazenda Santa Bárbara ficaram ilhadas. A Defesa Civil usou helicóptero para o envio de remédios, colchões e produtos de limpeza.
A chuva também atingiu Ubá, a 12 quilômetros de Guidoval. Segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil da cidade, o temporal elevou o nível do Ribeirão Ubá, causando inundações em vários pontos. Também foram registrados deslizamentos de encostas, o que causou interdição de vias no município. Uma das cabeceiras da ponte que liga a cidade a Guidoval rompeu. O DER-MG concluiu em duas horas o trabalho de recuperação do trecho no km 706 da MGC-120.
Em Cataguases, na manhã de ontem, nas praças o assunto de todas as rodas era a política indecifrável da gente de gravata de Brasília a sugerir dar de ombros para o estado de Minas Gerais. Muitos ainda querem entender os critérios de Fernando Bezerra, do Ministério da Integração Nacional, para a distribuição e prioridade dos recursos para que os estados brasileiros acudam o seu povo. Na Praça Rui Barbosa, Vicente Costa, de 50, Moisés Moura Brito Júnior, de 54, e Milton Mendonça, de 71, não estão nada satisfeitos com o que estão acompanhando pelo noticiário. O protético, o engenheiro civil e o oficial de justiça aposentado, letrados, chegados à boa filosofia, não dão razão ao pensamento do aparente descaso do ministro.
Na parte baixa da cidade, outro moço letrado, metalúrgico, Rui Pereira Boia, de 53, e a mulher, Simone Soares Salgado, de 43, supervisora pedagógica, comentam e fazem foto da ponte interditada do embarcadouro de Camargo. “É aqui que embarca o minério do Antônio Ermírio de Moraes”, explica Rui, que fotografa a ponte de cerca de 60 metros, mais baixa e 30cm na lateral esquerda fora do lugar. O Rio Pomba voltou a chegar bem perto dela com as chuvas de sábado. O casal comenta que como agora, em 2012, só em 1979, quando a cheia ultrapassou a ponte.