Cidades

CHUVA » Pés na lama Temporal que atingiu a Zona da Mata afeta moradores e poder público. Além das residências, danos são vistos na prefeitura, Secretaria de Educação, Polícia Militar e Policlínica da cidade

João Henrique do Vale

Publicação: 07/12/2017 04:00

A principal rua do Centro de Santa Cruz do Escalvado,  na Zona da Mata,  está embaixo da lama que desceu junto com a água do temporal que atingiu a cidade na segunda-feira. Além das casas danificadas ou destruídas, o serviço público também foi afetado. A Policlínica do município foi interditada e materiais foram perdidos e equipamentos estragados. O prédio onde está localizada a secretaria de Educação e Polícia Militar (PM) também será fechado. A prefeitura decretou situação de emergência. Moradores tiveram de deixar as residências e foram levados para escolas. Imóveis foram interditados.

Levantamentos preliminares feitos pela prefeitura mostra que 283 pessoas foram atingidas,  sendo um total de 89 famílias. São 36 crianças,  25 idosos e 22 adultos. O número pode ser ainda maior, pois não há contato com a zona rural do município. Assistentes sociais vão percorrer a área para levantar os danos. Os principais problemas foi onde fica a base da administração municipal. Prédios públicos foram invadidos pela água, que superou dois metros e meio de altura. “Hoje estamos passando por um momento crítico.  É uma situação alarmante”,  afirma a prefeita Sônia Maria Untalen (PMDB).

Um verdadeiro batalhão da limpeza iniciou a retirada da lama e objetos das casas e ruas. A prefeitura doou materiais aos moradores para retirar a sujeira das casas e comércios,  como detergentes e água sanitária, que estão sendo entregues por assistentes sociais e voluntários. O pedagogo Márcio Greick Martins, de 42 anos, saiu da zona rural e foi dar apoio aos moradores. “É importante ajudar neste momento, disponibilizar e dar apoio ao outro”,  disse.

A assistência social da prefeitura é composta por sete pessoas,  entre educadores, psicólogos e orientadores sociais. A prefeitura abriu uma conta para as pessoas fazer doações: Agência 0088-4; Conta-Corrente 50214-6. Banco do Brasil.

Dor

As lágrimas escorriam dos olhos de Agnaldo enquanto usava uma enxada para cavar os escombros de uma casa levada pela correnteza. Mesmo quando o cabo da ferramenta se partiu, ele não desistiu. O objetivo é encontrar o corpo do sobrinho e da avó do garoto que estão desaparecidos na comunidade de Parada Paulista,  distrito de Urucânia. Ontem, o corpo da sobrinha dele, Maria Fernanda, de 13 anos, foi enterrado.

Sem dizer uma palavra, Agnaldo cavava sem parar. Ele era ajudado pela professora do menino, que puxava um fio de tevê a cabo que estava parcialmente soterrado. A esperança deles era encontrar a criança amarrada no material, estratégia usada pela mãe dele para não deixá-lo ser arrastado pela água. Um cabo semelhante foi encontrado em volta do corpo de Maria Fernanda, segundo moradores.

O corpo foi encontrado na terça-feira por um morador da comunidade. Na casa estavam quatro pessoas: a adolescente, a mãe da garota, o irmão e a avó. A casa, que fica a beira de um córrego, foi totalmente levada pela enxurrada durante o temporal que atingiu a região da Zona da Mata na segunda-feira. Apenas o piso foi deixado.

Os quatro foram levados pela correnteza. Érica conseguiu se salvar,  segundo moradores,  depois de ficar presa em uma árvore.  Ela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros. Ainda estão desaparecidos o irmão da garota,  identificado como Vinícius, e a avó, Eva de Jesus.

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