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CAPITAL » Federal na berlinda PF deflagra operação na UFMG por desvios de R$ 4 milhões do projeto da construção do Memorial da Anistia Política do Brasil. O reitor e mais sete pessoas prestaram depoimento

Larissa Ricci e Simon Nascimento*

Publicação: 07/12/2017 04:00

A Polícia Federal afirmou ontem, em coletiva à imprensa, que R$ 4 milhões foram desviados do projeto de construção do Memorial da Anistia Política do Brasil. A força-tarefa apura a não execução e o desvio de recursos públicos que deveriam ter sido destinados à construção do memorial, em um projeto financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na manhã ontem, oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão foram cumpridos pela corporação na Operação Esperança Equilibrista.

De acordo com Leopoldo Lacerda, delegado da PF, as oito pessoas conduzidas para prestar depoimento são da alta cúpula da UFMG. A instituição, por sua vez, informou que os conduzidos são: o reitor Jaime Arturo Ramírez; a vice-reitora Sandra Goulart (eleita para a reitoria a partir de 2018); o presidente da Fundep Alfredo Gontijo de Oliveira; a ex-vice reitora (2006 a 2010) e atual coordenadora do Projeto República da UFMG Heloísa Starling; a ex-vice reitora (2010-2014) Rocksane Norton e uma das responsáveis no Memorial da Anistia, Silvana Cozer.

Conforme a investigação da PF, foram apontados desvio de recursos públicos e falsificação de assinaturas de bolsistas e estagiários do projeto de execução do museu. “O inquérito policial foi instaurado em março deste ano, diante da presente construção inacabada do museu, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul, em Belo Horizonte. Desde então, a gente fez contatos com a Controladoria Geral da União (CGU) e com o Tribunal de Contas da União (TCU) para ver se existia alguma irregularidade referente a esses órgãos. Entre eles, posso citar documentos em que existiam informações falsas, como assinaturas de bolsistas e documentos que incluíam documentos não condizentes com a movimentação bancária que de fato ocorreu,” explicou o delegado.

Inacabado

Ainda segundo a PF, teriam sido gastos mais de R$ 19 milhões na construção do memorial e pesquisas de conteúdo para a exposição, mas o único produto aparente é um dos prédios anexos ainda inacabado. “Temos provas de que pelo menos R$ 4 milhões foram desviados do projeto e essa cifra tende a aumentar a partir do prosseguimento da investigação e da análise de todos os contratos de prestação de serviços”, conta Leopoldo Lacerda.

“Nos autos, existem provas demonstrando que os documentos falsificados envolvem coordenadores da UFMG, ou seja, que eles tinham ciência de que parte da verba estava sendo desviada. O desvio foi realizado de várias formas. As principais foram por meio de pagamento de fornecedores e colaboradores que não têm relação com o projeto e pagamentos de bolsas de estágio – que variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 8 mil – que não foram destinadas para os bolsistas e, sim, desviadas para outras cotas. A gente ainda está investigando o beneficiário final”, disse.

O delegado destacou a confecção de vários livros que não “estavam destinados ao projeto do museu”. Caso os suspeitos sejam condenados, o delegado informou que eles podem responder por peculato de desvio e formação de quadrilha. (*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck)

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