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TELEVISÃO » Causas nobres Personagens de Regina Duarte e Marcello Melo Jr têm o que mostrar na novela Tempo de amar. Atriz vive uma mulher que batalha para ser independente, e o ator interpreta um homem que luta contra o preconceito

Publicação: 31/10/2017 04:00

Regina Duarte sabe guardar bem os segredos de Madame Lucerne, sua personagem em Tempo de amar, novela das 18h da Globo. Na trama da Alcides Nogueira, a atriz interpreta uma misteriosa cafetina francesa que é dona da Maison Dorée. E traz mulheres portuguesas para trabalharem no local, em troca de hospedagem e alimentação. Segundo sua intérprete, o lugar apresenta, de forma lúdica, o universo do cabaré.

“Ela é uma mulher que tem um espaço de divertimento, de arte, onde acontecem performances. O amor rola ali em todos os níveis exatamente por isso: as pessoas vão para espairecer, descansar das aflições da vida”, defende Regina.

Mesmo que a Maison Dorée tenha um pouco essa função e sua anfitriã valorize esse aspecto, Lucerne também carrega uma dor aparente. E um passado desconhecido. Todas as vezes que a cafetina aparece pensativa, fica no ar quais são seus segredos. Braço direito de Lucerne, Gilberte (Maria Eduarda de Carvalho) já questionou a patroa, quando a flagrou com um retrato antigo nas mãos. Mas a foto foi prontamente escondida.

“Madame Lucerne é uma mulher à frente do seu tempo. Seguiu caminhos que, talvez, não aceite com tanta tranquilidade. Ela tem alguns traumas pelo que passou, porque fez opções complicadas. Se são difíceis hoje, onde existe uma liberdade de comportamento imensa, imagina naquela época!”, despista Regina.

Esperta, Lucerne trouxe Felícia (Amanda de Godoi), Helena (Jessika Alves) e Natália (Giulia Gayoso) enganadas para trabalharem como prostitutas na Maison Dorée. Por acaso, Maria Vitória (Vitória Strada) também passou por lá durante um período como pianista, mas fugiu com Helena.

Para Regina, sua personagem tem um lado maternal forte, apesar de ser uma líder rigorosa. E lembra que a prostituição não pode ser tão abordada, por conta do horário. “É na faixa das seis, o que não nos permite um mergulho profundo nessa questão. Estou muito entusiasmada por poder ser uma proprietária de um local como esse em uma novela. Acho que nunca fiz nada igual”, comemora.

LIBERDADE

Em cena, Regina dá vida a uma senhora dos anos 1920 que teve de enfrentar muitos preconceitos para sobreviver. Fora da ficção, a atriz entende que a mulher precisa, cada vez mais, buscar sua liberdade. Ela mesma entendeu, desde cedo, que teria de lutar por sua carreira e direitos.

“A mulher já descobriu que precisa ser independente financeiramente. Ou será escrava de um marido, pai, irmão, enfim, de quem ela depender. Superado isso, os problemas continuam. Uma série de coisas que a sociedade tem de lidar e superar, porque não é só com o sexo feminino que a vida é dura”, frisa.

Determinada dentro e fora de cena, Regina garante que nunca deixa de se posicionar. Inclusive politicamente. A atriz afirma que o momento de crise no Brasil é uma lição difícil que todos têm de aprender para transformar o futuro. Além disso, diz que a situação só chegou a esse ponto porque os cidadãos deixaram de fiscalizar os que ganharam seus votos.

“Sou de uma geração que aprendeu a viver assim: sabendo que, se a gente não participar ativamente da história do país, seremos passados para trás. Não dá para entregar na mão deles. Olha como está Brasília hoje! A política é feia? É suja? É porque permitimos. Se ficássemos de olho, talvez não estivéssemos nesta fase tão triste”, conclui.

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