Polícia

MÃE EM SURTO » Confusões constantes Momentos antes de gêmeos serem jogados pela janela, avó acionou o Conselho Tutelar. Entidade já havia atendido a família outras vezes

Paula Sarapu

Publicação: 10/12/2011 04:00

Thales Lemos, pai das crianças, quer ficar com os filhos (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Thales Lemos, pai das crianças, quer ficar com os filhos

Três horas antes de ver os netos gêmeos serem jogados pela mãe da janela do quarto andar do edifício onde moravam, em Sete Lagoas, a avó materna Fátima Alves Fonseca ligou para o Conselho Tutelar e disse que a filha estava nervosa, “quebrando tudo dentro de casa”. Questionada sobre a segurança dos meninos P. e G., de 1 ano e 5 meses, a avó garantiu que eles estavam protegidos no quarto. Uma conselheira ainda orientou que Fátima chamasse a Polícia Militar, mas ela ficou com receio de que Gisele Pereira da Fonseca, de 25 anos, pudesse ser presa.

Ontem, o Conselho Tutelar de Sete Lagoas sugeriu ao juízo da Vara da Infância e da Adolescência que seja suspenso o “poder familiar” e que haja um estudo social para avaliar quem tem condições de assumir a guarda provisória das crianças. Nesse caso, ao ter alta, os meninos serão acolhidos em um.

Segundo o conselheiro tutelar presidente, Idevair Barbosa Teixeira, Fátima ligou às 11h do último dia 7 e esta não foi a primeira vez que o órgão foi acionado durante o descontrole emocional de Gisele. Em setembro, um conselheiro foi chamado por policiais militares à casa da família, durante outra discussão entre mãe e filha. O motivo da briga foi o ex-marido de Gisele e pai das crianças Thales Gladmir Balduíno Lemos, de 23 anos.

Fátima reclamava que o rapaz não dava assistência e era contra a insistência da filha de querer reatar o relacionamento. Nas entrevistas com o conselho, Gisele também relatava agressões sofridas pelo companheiro. De acordo com Idevair, no dia da confusão, o conselheiro que foi à casa de Fátima não aplicou medidas protetivas porque o “momento de crise” de Gisele já tinha passado e parentes garantiram a proteção de P. e G..

“Nunca recebemos denúncias sobre Gisele. Nenhum vizinho e nem mesmo o pai das crianças falou sobre maus tratos ou ameaças. Nós acompanhamos esta família desde o dia 18 de maio, quando o casal e as crianças mudaram de Nova Lima para Sete Lagoas. Eles nos procuraram por causa de dificuldades financeiras”, contou Idevair, salientando que o juiz também vai avaliar a conduta da avó materna, de ter deixado o apartamento no momento do “suposto surto psicótico” da filha.

O Conselho guarda todos os registros de atendimento à família e há relatos do próprio Thales, segundo os funcionários, de que o casal mudou de cidade porque seus pais também não o ajudavam com os gêmeos. Num comunicado, Idevair explicou que a família foi cadastrada no Centro de Referência Especializada à Assistência Social (Creas), mas que não atendeu aos chamados da instituição.

GUARDA
Com a queda de 12 metros de altura, P. sofreu traumatismo craniano e continua internado na UTI do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Segundo Thales, o coágulo no cérebro não apresentou evolução e o menino está estável. G., que teve fratura no fêmur, está em observação no Hospital Municipal de Sete Lagoas e se recupera bem. Desde a queda, Fátima acompanha sua internação e a avó paterna fica com P. na capital.

Ontem, o pai dos meninos tentou a transferência de G. para a unidade médica de Belo Horizonte, mas o pedido foi negado até que a Justiça defina para onde as crianças devem ir. Ele está confiante. “Vou entrar com o pedido de guarda na segunda-feira e tudo vai se resolver. Tenho total condição de cuidar dos meus filhos e minha família vai me ajudar”, disse Thales. O Conselho afirma que não foi omisso, que lamenta o ocorrido e que “atendeu a família com dinamismo e os encaminhamentos necessários para a proteção efetiva das crianças”.

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