14ºC
24ºC 13mm
Polícia

CRIME FINANCEIRO » Fim da farra Empresário e seis pessoas, incluindo dois gerentes de banco, são detidos por causar prejuízo de cerca de R$ 10 milhões aos clientes

Pedro Rocha Franco

Publicação: 01/02/2012 04:00

Todo o material apreendido foi levado pela PF para investigação (Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Todo o material apreendido foi levado pela PF para investigação

Pouco mais de um ano depois da prisão do empresário Thales Maioline, acusado de aplicar milionário golpe financeiro em investidores mineiros, a Polícia Federal (PF) prendeu o pré-candidato à Prefeitura de Lagoa Santa e presidente da empresa Filadélphia Empréstimos Consignados Ltda, Carlos Henrique Vieira, e outras seis pessoas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal, por suspeita de integrar grupo envolvido na aplicação do golpe da pirâmide financeira em praças da Aeronáutica. Além dos detidos, foi feito o sequestro de 20 imóveis e a apreensão de 40 veículos. A suspeita inicial é que a empresa tenha causado prejuízo de R$ 10 milhões, mas, diante do tamanho da empresa, presente em mais de 50 cidades de 23 estados, a cifra pode ser maior.


A Operação Gizé, em alusão às pirâmides do Egito, foi deflagrada ontem em Lagoa Santa e Belo Horizonte, quatro meses depois de a reportagem do Estado de Minas, do Diário Associados, denunciar o esquema, com a publicação de contratos de empréstimo que pagavam juros de 2,5% a 5% ao mês, mais poupança. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a divulgar alerta sobre a atuação irregular da Filadélphia, que intermediava empréstimos bancários.
O esquema funcionava assim: caso uma pessoa quisesse obter um contrato de R$ 15 mil com um banco, a empresa incentivava a fechar contrato de R$ 25 mil, sendo que R$ 10 mil eram reinvestidos na Filadélphia, que pagava 4% de juros ao mês por esse valor. Com isso, o valor das prestações do empréstimo eram reduzidas. A remuneração, acima do valor pago no mercado, atraia interessados. Dois diretores da empresa são sargentos da reserva da Aeronáutica e apoiavam-se nesse fator para captar novos investidores em todo o país.


Captação
O presidente da empresa era pastor e usava a sua unidade da Igreja Pentecostal do Evangelho Pleno, com sede em Lagoa Santa, para captar o restante dos interessados. Por esse motivo, o investimento era restrito aos militares e fiéis e pessoas indicadas por eles. “Depois da reportagem, muitos investidores retiraram seu dinheiro com medo de prejuízo. Hoje a Filadélphia quebrou”, afirma o chefe da operação e titular da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros e Verba Pública, Mário Veloso. “Mas efetuamos o sequestro de bens para tentar minorar o prejuízo dos clientes”, conclui ele. As apurações preliminares apontam prejuízos individuais de até R$ 300 mil.


A igreja e outras empresas ligadas ao grupo Filadélphia, como uma construtora e uma revendedora de automóveis, eram usadas para lavar dinheiro e sonegar impostos, além de atrair eleitores para Carlos Henrique Vieira, que, em 2008 se candidatou a vereador pelo PRTB e, neste ano, pretendia disputar o pleito no município para ser prefeito. O dinheiro era usado para arcar os gastos de uma vida milionária do empresário, que, segundo a PF, morava num condomínio de Lagoa Santa e ostentava bens de alto padrão. Em setembro, Carlos Henrique disse que seu patrimônio era superior a R$ 30 milhões.


Ainda segundo as investigações da PF, a empresa também atuava no mercado de seguro automotivo com o modelo de “rateio”. Ou seja, captava entre R$ 50 e R$ 100 por mês dos segurados e, em caso de um deles sofrer acidentes, todos dividiam o prejuízo.


A Operação Gizé cumpriu 18 mandados de busca e apreensão. Documentos foram apreendidos e, além do presidente da Filadélphia, dois vice-presidentes, a contadora e o chefe da segurança da empresa foram detidos. Os dois gerentes da Caixa, lotados numa agência de Lagoa Santa, foram presos por suspeita de ter liberado crédito para financiamento imobiliário para a diretoria da empresa em troca de “vantagens financeiras”, segundo o delegado. Os detidos são acusados de estelionato, formação de quadrilha, falsidade documental, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Caso condenados, os suspeitos podem ter pena de até 90 anos de reclusão, segundo a PF.

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo do grupo Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.