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Polícia

VIOLÊNCIA » Tragédia anunciada Em mais um crime passional, homem mata a mulher e tira a própria vida. Vítima já tinha dado queixas do companheiro àpolícia e pedido proteção

Landercy Hemerson

Publicação: 15/02/2012 04:00

COBRADORA DE ÔNIBUS FOI EXECUTADA NO MEIO DA RUA, QUANDO CHEGAVA AO TRABALHO EM UMA EMPRESA DE ÔNIBUS (CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
COBRADORA DE ÔNIBUS FOI EXECUTADA NO MEIO DA RUA, QUANDO CHEGAVA AO TRABALHO EM UMA EMPRESA DE ÔNIBUS
As queixas na Delegacia de Mulheres não colocam fim às tragédias. As constantes agressões no ambiente de trabalho, sinalizavam para mais um desfecho trágico. As famílias, por mais otimistas, temiam o pior. Até mesmo uma religiosa, na noite anterior ao crime, alertou que operador de transporte Edicimar Rodrigues Freitas, de 37 anos, terminaria por cumprir suas ameaças e mataria a mulher, a cobradora de ônibus Irene Carla da Silva, de 37, em cumprimento às suas ameaças.

Irene, mãe de três crianças com idades de 13, 10 e 5 anos, foi assassinada com um tiro na cabeça no começo da tarde de ontem, no Bairro São Tomaz, Região Norte da capital. O salário de Irene lhe proporcionava uma vida modesta, que em nada lembrava o alto padrão de vida da procuradora federal Ana Alice Moreira Melo, de 37, que tinha dois filhos de 3 e 7 anos. Mas um só calvário, fez com que as duas mulheres pedissem socorro: as ameaças e agressões de seus cônjuges.

Ana Alice ainda conseguiu que uma medida protetiva fosse expedida pela Justiça de Nova Lima, na Grande BH, com base na Lei Maria da Penha. Mas foi morta a facadas na madrugada da quinta-feira, dia 2, pelo marido, o empresário Djalma Brugnara Veloso, de 49. Já Irene Silva, em 2009 apresentou duas queixas na Delegacia de Mulheres contra Edicimar Freitas, quando teriam sido feitos pedidos de medidas protetivas. Parentes, porém, afirmam que nenhuma proteção foi dada. Por fim, mais semelhanças: em ambos casos, depois de tirarem a vida das mães de seus filhos, os agressores se mataram.

Edicimar Freitas, depois de atirar duas vezes contra a nuca de Irene, que chegava para pegar serviço numa empresa de ônibus na Avenida Portugal, andou cerca de 100 metros de onde estava caído o corpo da mulher, na Rua Juscelina Conceição, em meio a uma poça de sangue, e deu um único tiro na cabeça da mulher. Testemunhas disseram que a cobradora não teve com reagir. Foi arrastada pelo cabelo e executada.

SINAIS

O segurança José Roberto Rodrigues Teixeira, de 32, irmão de Edicimar, contou que na noite da segunda-feira acompanhou o operador a um culto evangélico. “Ele estava muito calado. Uma pastora teve uma revelação e disse que ele pensava em matar a mulher. Oramos todos para que a situação revertesse. Acompanhei meu irmão durante toda manhã e tudo parecia tranquilo. À tarde, pouco antes, o encontrei num bar e em nada demonstrava estar armado e que faria algo assim”.

Já o lanterneiro Bolivar da Silva Juvenal, de 35, lamentava o que dizia ser uma tragédia anunciada. “Desde o começo do namoro da Irene nossa família era contra. Mas veio a gravidez e eles passaram a viver juntos. Foram 13 anos de traições, brigas, separações e agressões. Nos últimos dois meses a situação piorou. Há uma semana minha irmã saiu de casa com as crianças, no Bairro Gávea, em Vespasiano, e veio morar com a gente. Mas o Edicimar era muito ciumento e a ameaçou, dizendo que jogaria gasolina e colocaria fogo nela”, lamentou. Segundo Bolivar, a cobradora fez várias ocorrências policiais contra o marido, mas sem ter qualquer apoio da Justiça, acabava cedendo às pressões e retornava ao convívio com ele por medo e pelas filhos.

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