Polícia

BELO HORIZONTE » Empresário preso no Belvedere por mandar matar o cunhado

Pedro Ferreira

Publicação: 06/02/2014 04:00

O empresário Luiz Antônio Caus, de 50 anos, dono da Madeireira Macal, foi preso na madrugada de ontem em sua casa, no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, como principal suspeito de mandar matar seu cunhado, o analista de sistemas André Elias Ferreira, de 40 anos, executado há pouco mais de dois anos. Um empresário amigo do acusado, um suspeito de ser o intermediário que contratou o executor e o homem apontado como o pistoleiro também foram detidos.

André Luiz foi morto em 23 de junho de 2011. Ele viajava com o filho de 4 anos e foi assassinado quando deixava uma lanchonete às margens da BR-381, em Itatiaiuçu, Grande BH. Um homem o chamou pelo nome antes de disparar três tiros. Os suspeitos estão recolhidos no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) da Gameleira, na capital.

O delegado responsável pelo inquérito, Frederico Abelha, não revela detalhes das investigações. “Ainda vamos ouvir os presos. Primeiro, preciso desenvolver algumas estratégias com o chefe do Departamento de Investigações, delegado Wagner Pinto”, informou. As prisões foram decretaras pela Justiça de Itaúna, onde o inquérito tramitava inicialmente. Segundo o policial, Luiz Antônio sempre foi o principal suspeito de ser o mandante da execução. “Havia um desentendimento por causa da divisão de dinheiro, o que foi exatamente o fator gerador do homicídio”, disse o delegado.

Na época do crime, Luiz Antônio foi interrogado, mas negou participação e foi liberado. As investigações continuaram e as suspeitas contra ele foram reforçadas, segundo o delegado, que pediu a prisão preventiva, por 30 dias, por se tratar de crime hediondo. Mandante e demais envolvidos podem ser condenados a até 30 anos de prisão, por homicídio qualificado.

AMEAÇAS

Segundo o advogado criminalista Antônio Francisco Patente – contratado pela irmã do acusado e mulher da vítima, a também analista de sistemas Carmen Valeska Caus –, Luiz Antônio procurou um empresário amigo dele em São João del-Rei e este contatou uma terceira pessoa, que intermediou a contratação do pistoleiro.

Ameaças contra a vítima teriam começado quando André Elias ajudou o sogro a despejar o próprio filho do imóvel onde funcionava a madeireira, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, Bairro Sion, Centro-Sul de BH. “Luiz Antônio fez as ameaças na frente de um oficial de Justiça”, disse o advogado.

De acordo com Patente, havia outros interesses financeiros envolvidos na trama. “O pai de Carmen e Luiz Antônio doou um patrimônio significativo aos dois. Todo bem que ele adquiria era passado para o nome dos filhos, o que gerou um atrito. Luiz Antônio queria ficar com tudo, porque a irmã era solteira e não tinha herdeiro. Depois que ela se casou e teve um filho, isso para ele virou um obstáculo”, disse.

Segundo o advogado, o esclarecimento do crime foi prejudicado pelo fato de ter demorado chegar ao conhecimento da polícia a informação de que o empresário usou o celular de funcionárias da sua casa para entrar em contato com o empresário de São João del-Rei. “O crime ocorreu em um feriado. Ele chegou em casa esbaforido e pediu emprestado o telefone da funcionária, dizendo que o seu estava sem bateria. Depois, usou o aparelho de outra empregada”, disse Patente.

A polícia rastreou as ligações e chegou aos demais envolvidos. Rastreamento do telefone de Luiz Antônio revelou que ele foi a São João del-Rei, mas fez um desvio pela BR-381, sentido São Paulo, supostamente para passar pelo local onde a vítima havia sido executada.
DEFESA
O advogado de Luiz Antônio, Tiago Resende, disse que ainda não teve acesso à decisão judicial e que vai se manifestar depois de conversar com seu cliente.
“Somente depois vou analisar os fundamentos da prisão é vou estudar que medida tomar. Meu cliente alega ser inocente”, disse o defensor.

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