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Chuva em Juiz de Fora: casal perde casa construída em 20 anos

Deslizamento no bairro Três Moinhos destruiu imóvel do casal; eles escaparam e agora vivem em abrigo municipal

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Chuva em Juiz de Fora: barranco soterra casa de família
Casal Fabiana Oliveira e Luciano de Oliveira demorou 20 anos para construir a própria casa — Foto: Luiza Sudré/g1

As chuvas que atingem Juiz de Fora desde segunda-feira (23) provocaram deslizamentos, mortes e deixaram milhares de pessoas fora de casa.

No bairro Três Moinhos, Fabiana Silva Oliveira, 47, e Luciano de Oliveira Freitas, 43, perderam o imóvel que construíram ao longo de 20 anos. A casa foi destruída após um barranco ceder. Hoje, o casal vive em um abrigo improvisado em escola pública.



Casa construída aos poucos

Depois de horas de chuva intensa, a terra desceu e atingiu o imóvel onde os dois moravam havia seis anos. Em poucos minutos, a estrutura foi tomada.

Luciano é pedreiro e participou diretamente da construção. Segundo ele, a casa foi erguida aos poucos, principalmente nos fins de semana, enquanto o casal ainda pagava aluguel.

Em entrevista ao g1, Luciano contou que eles não estavam no imóvel no momento do deslizamento. Tinham saído para um aniversário de família. “Se estivéssemos lá, não teríamos sobrevivido”, disse.

Fabiana mora no bairro desde a infância e afirma que nunca viu uma situação parecida na região.

Cidade sob impacto da chuva

Desde o início da semana, Juiz de Fora registra uma sequência de temporais. De acordo com o município, há dezenas de ocorrências relacionadas a:

  • deslizamentos de terra
  • alagamentos
  • interdições de imóveis

A prefeitura abriu 15 escolas para receber moradores que precisaram deixar suas casas. A previsão indica mais chuva até sexta-feira (27), e a Defesa Civil mantém monitoramento em áreas de risco.

Recomeço no abrigo

Fabiana e Luciano foram encaminhados para a Escola Municipal Raymundo Hargreaves, adaptada para funcionar como abrigo temporário. Eles chegaram apenas com a roupa que vestiam.

Salas de aula foram transformadas em dormitórios, com colchões distribuídos no chão. Sem previsão de retorno para casa, o casal tenta organizar documentos e pensar nos próximos passos. “Levamos 20 anos para construir. Agora vamos ter que começar de novo”, afirmou Fabiana.