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Copasa vai destinar R$ 300 milhões para recuperar ruas de BH danificadas por obras
Belo Horizonte receberá R$ 300 milhões da Copasa para recuperar ruas danificadas por obras. Veja como o dinheiro será usado e fiscalizado
Belo Horizonte terá um reforço de R$ 300 milhões para recuperar e manter ruas afetadas por obras da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O recurso faz parte de um acordo judicial assinado nesta terça-feira (1º) entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a companhia e a Prefeitura de Belo Horizonte.
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O dinheiro será destinado exclusivamente a obras de recuperação e manutenção do pavimento em vias que sofreram intervenções da Copasa. Além disso, o município terá que manter os investimentos que já realiza normalmente em conservação das ruas.
A medida encerra uma etapa de uma disputa judicial que começou após o MPMG questionar a recomposição inadequada do pavimento em locais onde a Copasa realizou intervenções desde 2010.
Como será pago o valor de R$ 300 milhões
O pagamento será dividido em três parcelas de R$ 100 milhões. A primeira deverá ser repassada pela Copasa em até 30 dias depois da homologação judicial do acordo.
As outras duas parcelas têm vencimento previsto para 30 de abril de 2027 e 31 de janeiro de 2028. Os valores serão corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na prática, portanto, o investimento será distribuído ao longo dos próximos anos e terá aplicação específica na infraestrutura viária de Belo Horizonte.
Prefeitura não poderá substituir verba própria pelo dinheiro
Um dos pontos centrais do acordo é que os R$ 300 milhões não poderão ser usados para substituir o dinheiro que a Prefeitura de Belo Horizonte já destina à conservação das ruas.
O município deverá manter os investimentos ordinários em pavimentação e utilizar o valor pago pela Copasa como um recurso adicional.
Para verificar se essa obrigação está sendo cumprida, será considerada a média das despesas municipais destinadas à conservação das vias nos três anos anteriores à assinatura do acordo. Os gastos com recapeamento e operações de tapa-buracos também serão considerados separadamente.
Dessa forma, o acordo busca impedir que o dinheiro recebido da Copasa apenas compense uma eventual redução dos investimentos próprios da Prefeitura.
Prefeitura terá que apresentar cronograma das obras
O município também deverá elaborar um cronograma para definir como os recursos serão utilizados.
Além disso, a Prefeitura terá que adotar critérios técnicos para administrar os pavimentos e apresentar prestações de contas periódicas ao Ministério Público.
O objetivo é garantir que o dinheiro tenha aplicação efetiva na recuperação das vias e não seja incorporado de maneira genérica ao orçamento municipal.
Fiscalização vai durar cinco anos
O cumprimento do acordo será acompanhado pelo MPMG durante os próximos cinco anos.
Além da fiscalização das obrigações assumidas pela Prefeitura, o acordo estabelece novas regras para as intervenções realizadas pela Copasa em Belo Horizonte.
As obras futuras da companhia deverão seguir a metodologia de recomposição de pavimentos prevista no Caderno de Encargos da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
Uma auditoria técnica independente também deverá analisar, todos os anos, pelo menos 20% das intervenções realizadas pela Copasa.
Os relatórios produzidos pela auditoria serão encaminhados ao Ministério Público.
Acordo prevê punição em caso de descumprimento
O documento também estabelece mecanismos para o caso de as obrigações não serem cumpridas.
Entre as medidas previstas está o bloqueio de recursos destinados à publicidade institucional do município.
Entretanto, a regra não alcança ações de comunicação consideradas de utilidade pública. Permanecem preservadas, por exemplo, campanhas de saúde, alertas da Defesa Civil e informações sobre calendário escolar e benefícios sociais.
Entenda a origem do acordo
O acordo foi firmado na fase de cumprimento de uma sentença obtida pelo MPMG em uma ação civil pública apresentada pela Promotoria de Justiça de Defesa de Habitação e Urbanismo de Belo Horizonte.
A Justiça determinou que a Copasa reparasse vias que haviam recebido intervenções da companhia desde 2010 sem a recomposição adequada do pavimento, em desacordo com a legislação municipal.
A decisão foi posteriormente confirmada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e se tornou definitiva.
Agora, o acordo estabelece como será executada essa obrigação e cria mecanismos para acompanhar tanto a aplicação dos recursos quanto a qualidade das futuras recomposições de pavimento.