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De R$ 33 a R$ 1 mil: marcas de BH são ligadas a trabalho análogo à escravidão

Marcas de luxo de BH são investigadas por ligação com trabalho análogo à escravidão em oficinas com imigrantes e crianças em condições degradantes

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A foto mostra duas fotos de um ambiente de oficina de costura, com pessoas trabalhando e materiais espalhados, mas não há palavras, placas ou qualquer escrita legível na imagem
Auditoria flagra imigrantes, incluindo crianças, em condições degradantes em oficinas ligadas à produção de roupas de marcas de luxo de Belo Horizonte

Peças comercializadas por marcas de luxo em Belo Horizonte chegaram a ser vendidas por mais de R$ 1 mil, apesar de terem sido produzidas por valores que não ultrapassavam R$ 33 em oficinas terceirizadas investigadas por trabalho análogo à escravidão. As informações constam em relatório da Superintendência Regional do Trabalho, obtido pelo g1.

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De acordo com o documento, as empresas Lore Confecções e Anne Fernandes aparecem como beneficiárias da cadeia produtiva investigada. Enquanto uma peça chegou a ser vendida por R$ 1.143, seu custo de produção foi de apenas R$ 33. Já um conjunto vendido por cerca de R$ 900 teria custado R$ 53 nas oficinas.

Além disso, a auditoria aponta que 17 pessoas estavam envolvidas na produção, sendo que 14 foram resgatadas em condições consideradas degradantes, entre elas, uma adolescente.

Produção em condições precárias

Segundo a Superintendência Regional do Trabalho, ao g1, as roupas eram confeccionadas em oficinas localizadas em Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os fiscais encontraram trabalhadores imigrantes, principalmente bolivianos, vivendo e trabalhando em ambientes insalubres.

Ainda conforme o órgão, os locais apresentavam problemas estruturais graves, como instalações elétricas improvisadas, presença de materiais inflamáveis e espaços utilizados simultaneamente para trabalho, alimentação e descanso.

Além das condições precárias, os trabalhadores enfrentavam jornadas superiores a 12 horas diárias e, em muitos casos, recebiam menos de um salário mínimo por mês.

Presença de crianças e violações de direitos

A fiscalização começou após uma denúncia anônima que indicava a presença de crianças em uma das oficinas. No local, o Conselho Tutelar identificou duas crianças com direitos violados.

Uma delas relatou que ficava responsável por cuidar de outros menores enquanto os adultos trabalhavam. A situação reforçou os indícios de exploração e vulnerabilidade no ambiente.

Posteriormente, os auditores chegaram a uma segunda oficina, onde encontraram outros trabalhadores em condições semelhantes, incluindo uma adolescente.

Relação entre marcas e oficinas

O relatório também indica que as oficinas funcionavam como prestadoras quase exclusivas para as marcas. As empresas forneciam matéria-prima, modelos e especificações, enquanto os custos e a execução da produção ficavam sob responsabilidade das confecções.

Além disso, segundo a Superintendência Regional do Trabalho, havia acompanhamento frequente da produção. Representantes das marcas realizavam visitas regulares às oficinas, o que, de acordo com os auditores, evidencia uma relação direta com o processo produtivo.

O que dizem as empresas

Em nota, a Lore Confecções afirmou que não mantém vínculo com as oficinas citadas desde o fim de 2025. A empresa declarou que contratava fornecedores autônomos e que não tinha ingerência sobre a gestão da produção ou da mão de obra.

Já a empresa responsável pela marca Anne Fernandes informou que repudia qualquer violação de direitos trabalhistas. Segundo a nota, o contrato com o fornecedor foi encerrado em outubro de 2025, após a empresa tomar conhecimento da fiscalização.

Investigação segue em andamento

Por fim, a Superintendência Regional do Trabalho informou que o relatório ainda será analisado antes do envio de parecer ao Ministério Público Federal. A responsabilização direta das empresas dependerá da conclusão do processo administrativo.

Enquanto isso, os responsáveis pelas oficinas já foram autuados e podem receber multas de até R$ 100 mil, além de responder criminalmente.