Cidades

Delegada Ana Paula Lamego tem licença médica prorrogada e completa 180 dias afastada após morte de gari

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior e acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica prorrogada por mais 60 dias. A nova atualização foi publicada nesta quinta-feira (11) no Diário Oficial e amplia o período total de afastamento para pelo menos 180 dias.

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Segundo o Hospital da Polícia Civil, o novo prazo passa a valer imediatamente. Assim, a delegada deve retornar às atividades em 9 de fevereiro de 2026, caso não haja outra prorrogação. Durante todo o período, Ana Paula segue recebendo o salário integral. Só em outubro, foram R$ 25,4 mil brutos, com vencimentos líquidos de R$ 17,8 mil. Somando os seis meses, o valor pago ultrapassa R$ 110 mil.

O primeiro afastamento foi registrado em 13 de agosto, dois dias após o assassinato de Laudemir. À época, Renê confessou o crime. No entanto, desde então, mudou sua versão e passou a afirmar que não matou o gari. Ele chegou a sugerir que o homicídio poderia ter sido cometido por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), no Cabana do Pai Tomás, na região Oeste de Belo Horizonte.

A situação do casal ganhou novos contornos após uma entrevista concedida por Renê ao jornalista Roberto Cabrini, da Record TV. Na conversa, ele disse estar “chateado” por não ter recebido nenhuma visita da esposa durante os quatro meses em que está preso. Renê ainda afirmou não saber se o casamento continua de pé.

Como foi o crime

O homicídio ocorreu na manhã de 11 de agosto, por volta das 9h. Durante uma discussão de trânsito, o empresário sacou uma pistola e ameaçou a motorista do caminhão de coleta. Logo depois, atirou em Laudemir, que tentou apaziguar a situação. O gari foi atingido na região torácica e chegou a ser socorrido ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu.

Após o disparo, Renê fugiu no carro BYD cinza. Ele foi localizado horas depois, enquanto malhava em uma academia no bairro Estoril, também em Belo Horizonte. O empresário não resistiu à prisão.

Rotina após o homicídio chama atenção

Vídeos de câmeras de segurança registraram Renê mantendo uma rotina considerada “normal” após o crime. As imagens mostram o empresário chegando à sede da empresa em Betim, cumprimentando colegas, indo para casa, escondendo a arma na mochila e, em seguida, passeando com os cachorros.

Quem era Laudemir

Laudemir de Souza Fernandes trabalhava como gari na Localix Serviços Ambientais. Familiares e colegas o descrevem como um homem pacífico, dedicado e querido, tanto no trabalho quanto em casa. Ele deixou esposa, uma filha de 15 anos e enteadas. Segundo a empresa, o gari tentava evitar o conflito quando foi atingido.

Esposa de Renê é investigada em processo separado

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário, também é investigada. A arma usada no crime, uma pistola calibre .380, está registrada em nome dela e é de uso particular. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) defende que a delegada deve ser responsabilizada de forma solidária pela morte do gari.

O processo referente a Ana Paula foi desmembrado e encaminhado a uma vara criminal responsável por crimes comuns. Ainda não há previsão para as audiências.

Maria Clara Landim

Jornalista formada pela PUC Minas, com experiência em fotojornalismo, assessoria de imprensa e jornalismo digital. Já atuou nas redes sociais e na redação da Rádio Itatiaia e como pesquisadora na Comunidade Quilombola de Pinhões. Atualmente, é repórter e redatora nos portais Sou BH e Aqui.