Cidades
Greve de professores em BH continua e amplia pressão sobre prefeitura por negociação
Greve de professores da rede municipal de BH continua por tempo indeterminado após assembleia. Categoria cobra negociação e critica propostas da prefeitura
A greve dos professores da rede municipal de Belo Horizonte segue por tempo indeterminado após decisão tomada em assembleia realizada na Praça da Estação. A categoria optou por manter a paralisação e intensificar a mobilização, em meio a críticas à condução das negociações pela prefeitura e ao cenário enfrentado nas escolas.
Leia também:
- Rede municipal de BH terá greve de professores após aprovação em assembleia
- Greve na Fhemig provoca adiamento de cirurgias em hospitais de BH
- Professores da rede estadual de MG mantêm greve e cobram reajuste de 41%
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-REDE/BH), cerca de mil profissionais participaram da assembleia. A maioria votou pela continuidade do movimento, motivada, principalmente, pela ausência de avanços nas negociações e por demandas relacionadas às condições de trabalho.
Além disso, os trabalhadores apontam sobrecarga nas unidades de ensino e falta de profissionais de apoio como fatores que impactam diretamente a qualidade da educação. Nesse contexto, o movimento também ganhou força a partir da insatisfação com propostas discutidas pela administração municipal.
Críticas ao ensino integral e à gestão municipal
Entre os pontos mais questionados está a proposta de ampliação do ensino em tempo integral. Segundo o sindicato, há preocupação de que o modelo resulte em mudanças na atuação dos profissionais dentro das escolas.
Para a categoria, a medida pode representar precarização do ensino e afetar o desenvolvimento dos estudantes. Por outro lado, a prefeitura nega alterações que comprometam a atuação de professores e afirma que as atividades pedagógicas seguem sob responsabilidade de profissionais habilitados.
Ao mesmo tempo, declarações do prefeito sobre a greve também contribuíram para aumentar a tensão. O chefe do Executivo afirmou anteriormente não ver motivos para a paralisação e disse que os acordos firmados estão sendo cumpridos. Ainda assim, o sindicato avalia que as falas ampliaram a insatisfação entre os trabalhadores.
Prefeitura destaca medidas e mantém diálogo
Em resposta, a administração municipal sustenta que há um acordo vigente com a categoria, com validade até 2026. Entre os pontos citados estão a previsão de recomposição salarial pela inflação, reajustes na carreira e benefícios como auxílio-alimentação.
A prefeitura também afirma que mantém reuniões com representantes sindicais desde o início do ano para tratar de pautas específicas. Além disso, destaca a nomeação de mais de 3 mil professores nos últimos anos e estudos para a abertura de novos concursos.
Apesar disso, os profissionais afirmam que as medidas não atendem plenamente às demandas atuais da rede municipal.
Próximos passos da mobilização
Com a manutenção da greve, a categoria deve ampliar as ações nos bairros e intensificar a pressão política. Entre as estratégias discutidas está o apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação.
Enquanto isso, a paralisação segue impactando o funcionamento das escolas da capital. A expectativa, portanto, gira em torno da retomada de negociações que possam avançar em pontos considerados centrais pelos trabalhadores.