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Polícia Civil indicia quatro homens por compra de bens roubados de casal morto em BH

Quatro homens foram indiciados por receptação qualificada após comprarem objetos roubados pela diarista suspeita de matar casal de idosos em Belo Horizonte

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A imagem mostra ao lado esquerdo o casal de idosos, Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala. No lado direito, mostra a diarista Paola Stefany Neto Cirino.
A Polícia Civil também indiciou quatro homens por receptação qualificada após a compra de objetos retirados da residência das vítimas | Reprodução / Redes Sociais

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre a morte do casal de idosos Cláudio Atala e Maria Clotilde Atala, ambos de 75 anos, e indiciou quatro homens por receptação qualificada. Segundo a investigação, eles compraram objetos retirados da residência das vítimas pela diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, após o crime ocorrido no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

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Além dos quatro homens, Paola também foi indiciada pelo crime de duplo latrocínio, roubo seguido de morte. Conforme a Polícia Civil, os suspeitos que adquiriram os produtos procuraram voluntariamente os investigadores, acompanhados de advogados, e alegaram que desconheciam a origem criminosa dos itens.

Após prestarem depoimento, eles devolveram os objetos comprados da diarista. Entre os materiais recuperados estão R$ 18,8 mil em dinheiro, 14 relógios, dois celulares, oito frascos de perfume, joias, acessórios, roupas, dois pares de tênis, dois casacos e 11,2 gramas de ouro fundido.

Homens podem ter redução de pena após devolução dos bens

De acordo com a Polícia Civil, os quatro homens foram indiciados por receptação qualificada, crime previsto para situações em que a pessoa adquire, recebe ou oculta objetos sabendo ou assumindo a possibilidade de que tenham origem criminosa.

A corporação informou que os suspeitos poderão ter a pena reduzida caso a Justiça reconheça o chamado arrependimento posterior, previsto no artigo 16 do Código Penal. O benefício pode ser aplicado quando o responsável pelo crime repara o dano ou devolve os bens antes do recebimento da denúncia, em determinadas situações.

Investigação aponta venda de objetos retirados da residência

Conforme o inquérito, Paola retirou diversos objetos do apartamento do casal após o crime e vendeu parte dos produtos durante o período em que permaneceu entre Belo Horizonte e Itabira.

As investigações indicam que a diarista deixou o prédio onde moravam as vítimas usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregando sacolas, além de uma bolsa que pertencia a Maria Clotilde.

Durante as apurações, a Polícia Civil identificou que alguns dos bens levados da residência foram negociados com terceiros.

Relembre o caso

Segundo a investigação, Paola foi ao apartamento de Cláudio e Maria Clotilde pela primeira vez no dia 29 de junho. Ela havia sido indicada por um familiar do casal, para quem já trabalhava como diarista regularmente.

A suspeita chegou ao imóvel pela manhã levando apenas uma bolsa e permaneceu no local por cerca de oito horas. De acordo com a polícia, ela saiu do prédio no período da tarde carregando outros objetos e com roupas diferentes.

A perícia apontou que o casal morreu após sofrer diversos golpes de faca em diferentes partes do corpo. Para os investigadores, a violência utilizada indicou uma ação marcada por extrema crueldade.

Após deixar o apartamento, Paola passou por diferentes locais em Belo Horizonte e Itabira. Conforme a polícia, ela se hospedou em um hotel na região da Savassi, utilizou carros de aplicativo, frequentou restaurantes, realizou compras e vendeu joias retiradas da residência das vítimas.

Prisão aconteceu dois dias após o crime

A Polícia Civil prendeu Paola na madrugada de 2 de julho, em um hotel de Itabira, na região Central de Minas Gerais. A suspeita estava acompanhada do filho de 6 anos quando foi localizada pelos agentes.

Durante a operação, os policiais apreenderam dinheiro, celulares, joias, semijoias, perfumes, bolsas, roupas, óculos, uma faca e medicamentos com efeito sedativo.

Segundo a investigação, Paola poderia estar planejando fugir para o Rio Grande do Sul.

Polícia localiza possível arma usada no assassinato

Durante uma nova perícia realizada no apartamento do casal, a Polícia Civil encontrou a faca apontada como possível arma utilizada no crime.

Segundo os investigadores, a suspeita teria lavado o objeto e colocado novamente na cozinha para tentar dificultar a identificação do material. Agora, a perícia analisa a faca para verificar se há elementos que possam confirmar a relação com o assassinato.

Diarista é investigada por outros crimes semelhantes em BH

Além do caso envolvendo Cláudio e Maria Clotilde, a Polícia Civil identificou outros quatro possíveis crimes atribuídos a Paola.

De acordo com a corporação, novas vítimas procuraram o Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) após a repercussão do caso e relataram situações semelhantes.

As investigações apontam que a diarista utilizava medicamentos com efeito sedativo para reduzir a capacidade de reação das vítimas. Depois disso, ela aproveitava a vulnerabilidade das pessoas para retirar dinheiro, joias, relógios e outros objetos de valor das residências.