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Policiamento é reforçado no Barreiro após escalada de violência entre facções

Disputa entre facções criminosas intensifica a violência, altera linhas de ônibus e impõe medo a moradores

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Policiamento reforçado atua na Vila Cemig após ataques e prisões ligados à disputa entre facções criminosas; linhas de ônibus tiveram itinerários alterados por segurança
Policiamento reforçado atua na Vila Cemig após ataques e prisões ligados à disputa entre facções criminosas; linhas de ônibus tiveram itinerários alterados por segurança

A escalada da violência provocada pela disputa entre facções criminosas tem impactado diretamente a rotina de moradores da Vila Cemig e do Conjunto Esperança, no Barreiro, em Belo Horizonte. O confronto entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas levou ao reforço do policiamento, à alteração de linhas de ônibus e à disseminação do medo na região.

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Segundo a Polícia Militar, a Vila Cemig concentra a atuação de traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV), enquanto o Conjunto Esperança seria dominado por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Desde o início do conflito, moradores relatam restrições de circulação, ataques armados e insegurança constante.

Nos últimos dias, mensagens atribuídas a criminosos começaram a circular em grupos de WhatsApp da Vila Cemig. O conteúdo apresenta um suposto “código de conduta” para quem trafega pelo bairro, orientando motoristas a manterem os faróis baixos e a luz interna dos veículos acesa. Além disso, o texto pede que moradores do Conjunto Esperança evitem circular pela Vila Cemig.

Diante do cenário de risco, a Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob) alterou o itinerário das linhas de ônibus 319 e 332, que passam pela Vila Cemig. A medida segue válida enquanto persistirem os episódios de violência, segundo o órgão.

A disputa entre as facções ganhou força após um ataque ocorrido no início de dezembro, quando homens armados, usando roupas semelhantes às da Polícia Civil, invadiram o Conjunto Esperança. A ação deixou dois mortos, um de cada grupo, e nove pessoas feridas. Desde então, os confrontos se tornaram mais frequentes.

Em janeiro, um ataque atribuído ao TCP na Vila Cemig terminou com a morte de um homem de 41 anos, que, conforme a polícia, não era o alvo dos criminosos. Dias depois, um adolescente de 17 anos foi baleado durante outro episódio de violência, e disparos atingiram o freezer de uma padaria do bairro. Já nesta semana, uma nova tentativa de homicídio reforçou o clima de tensão, apesar de a vítima não ter sido atingida.

Como resposta, militares do Grupo Especializado em Policiamento em Áreas de Risco (GEPAR) do 41º Batalhão prenderam quatro suspeitos ligados ao Comando Vermelho na Vila Cemig. Dois adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos. Com o grupo, a polícia encontrou armas de fogo, drogas e uma máscara de palhaço, que teria sido utilizada durante ataques recentes.

A Polícia Militar de Minas Gerais informou que tomou conhecimento das mensagens que circulam entre moradores e que apura a autoria e a veracidade do conteúdo. Até o momento, não há confirmação oficial de que o comunicado tenha sido produzido por facções criminosas ou por grupos de outros estados.

Enquanto as investigações seguem, moradores convivem com o medo e com mudanças forçadas na rotina. O policiamento permanece reforçado na região, mas a sensação de insegurança ainda marca o dia a dia de quem vive entre a Vila Cemig e o Conjunto Esperança.