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Venezuela fará plebiscito para tomar 2/3 de país vizinho ao Brasil

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A disputa territorial entre Guiana e Venezuela está mais acirrada do que nunca, com a descoberta de grandes reservas de petróleo na região.

A Guiana, país localizado na América do Sul, possui uma reserva estimada em 11 bilhões de barris, o que equivale a cerca de 75% da reserva brasileira de petróleo e supera as reservas do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos.

Mais de 100 anos de briga

A controvérsia remonta ao século 19, quando a Guiana, então colônia britânica, expandiu seu território para o oeste, anexando uma área que fazia parte da Capitania Geral da Venezuela. Em 1899, um tribunal arbitral em Paris emitiu uma sentença que retirou toda a região do Esequibo da Venezuela. No entanto, a Venezuela considerou essa decisão inválida, citando indícios de imprecisões e parcialidade dos árbitros.

Em 1966, foi assinado o Acordo de Genebra, buscando uma solução política para o conflito e admitindo a existência da disputa sobre a sentença arbitral de 1899. No entanto, as negociações se arrastaram sem resultados e o caso foi encaminhado à Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU em 2020. Embora o tribunal tenha concordado em examinar o caso, a Venezuela não reconhece sua legitimidade para tal.

Com a descoberta dos campos petrolíferos em 2015, as tensões entre os dois países aumentaram ainda mais. A Guiana iniciou negociações com a gigante energética ExxonMobil para a exploração dessas reservas. O potencial econômico do petróleo trouxe muito dinheiro ao país e acelerou seu crescimento, chamando a atenção de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que afirma que a zona marítima em frente ao Essequibo pertence à Venezuela.

Plebiscito pode definir o futuro da América Latina

Em outubro deste ano, Maduro anunciou a realização de um referendo não vinculante para decidir sobre a anexação dessa área, que representa 74% do território da Guiana. O referendo está marcado para o dia 3 de dezembro e busca o consenso interno na Venezuela sobre a rejeição histórica da sentença arbitral de 1899, ratificando o apoio ao Acordo de Genebra e rejeitando novamente a legitimidade da CIJ para decidir sobre o caso.

A disputa territorial entre Guiana e Venezuela é complexa e envolve questões históricas, políticas e econômicas. Enquanto os dois países buscam uma solução para o impasse, a descoberta de petróleo na região coloca em jogo interesses geopolíticos e econômicos de grande relevância. O desfecho desse conflito terá impactos significativos não apenas para as partes envolvidas, mas também para a estabilidade regional e o futuro do setor petrolífero na América Latina.

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