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Ciência

Por que Plutão deixou de ser planeta? Relembre a polêmica decisão

Em 2006, uma votação da União Astronômica Internacional mudou os livros; entenda os três critérios que rebaixaram Plutão a ‘planeta anão’

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Céu noturno escuro com milhares de estrelas e uma faixa brilhante da Via Láctea.
A via láctea e as estrelas, cenário da reclassificação de Plutão e debate sobre o Sistema Solar | Imagem de wirestock no Magnific

Em 24 de agosto de 2006, uma decisão histórica da União Astronômica Internacional (UAI) mudou a forma como entendemos o Sistema Solar. Durante uma assembleia em Praga, na República Tcheca, astrônomos de todo o mundo votaram para rebaixar Plutão, que desde sua descoberta em 1930 era considerado o nono planeta. A partir daquele momento, ele passou a ser classificado em uma nova categoria: a de “planeta anão”.


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A mudança não foi um capricho, mas o resultado de novas descobertas e da necessidade de uma definição científica clara para o termo “planeta”. Com telescópios mais potentes, os astrônomos começaram a encontrar outros corpos celestes no Cinturão de Kuiper, uma região distante e gelada do nosso sistema, com tamanhos comparáveis ao de Plutão. O caso de Éris, descoberto em 2005 e com tamanho comparável, tornou a questão urgente: se Plutão era um planeta, Éris também deveria ser?

Para resolver o impasse, a UAI estabeleceu três critérios oficiais que um corpo celeste precisa cumprir para ser considerado um planeta. Foi o não cumprimento de uma dessas regras que selou o destino de Plutão.

Os três critérios para ser um planeta

A definição aprovada pela UAI exige que um corpo celeste atenda a todas as condições abaixo para ser classificado como planeta:

  • Orbitar o Sol: o objeto deve girar ao redor da nossa estrela, e não de outro planeta (como uma lua). Plutão cumpre esse requisito.

  • Ter formato esférico: sua massa deve ser grande o suficiente para que a própria gravidade o molde em um formato arredondado. Plutão também atende a essa condição.

  • Ter “limpado” sua órbita: este foi o ponto crucial. Um planeta deve ser o objeto dominante em sua trajetória orbital, tendo atraído, expelido ou aniquilado outros corpos de tamanho significativo ao seu redor.

Plutão falhou justamente no terceiro critério. Sua órbita está inserida no Cinturão de Kuiper, uma área repleta de asteroides e outros objetos gelados. Por não possuir gravidade suficiente para dominar essa vizinhança cósmica, ele divide seu caminho com inúmeros outros corpos, o que o desqualificou do status de planeta.

A decisão gerou um impacto imediato em livros didáticos e materiais educativos, que precisaram ser atualizados para refletir um Sistema Solar com apenas oito planetas. Duas décadas depois, apesar de a reclassificação ser oficial, ela ainda gera debates na comunidade científica. O tema volta a ganhar força periodicamente, mostrando que a história do nosso pequeno e distante vizinho gelado está longe de um ponto final.