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Ciência

“Verme-zumbi” da Era do Gelo desperta na Sibéria após 24 mil anos

Rotífero resistiu ao gelo extremo em estado de criptobiose e retomou atividades após experimento em laboratório

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Verme “ressuscita” após 24 mil anos congelado
Estudo mostra rotífero que ficou 24 mil anos congelado e retomou funções vitais após descongelamento controlado

Cientistas russos reviveram um rotífero bdeloide que passou os últimos 24 milênios congelado no permafrost da Sibéria, próximo ao rio Alazeya. O microrganismo multicelular, que habitou a Terra ao lado de mamutes, foi despertado em laboratório após um descongelamento controlado que provou a resistência extrema da vida ao tempo.

O estudo, publicado na revista Current Biology, revela como esse “animal de roda” conseguiu pausar o relógio biológico desde o Pleistoceno Tardio para voltar a se mover, comer e se reproduzir nos dias de hoje.


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Uma cápsula do tempo no subsolo russo

O pequeno sobrevivente estava escondido a 3,5 metros de profundidade em uma camada de subsolo conhecida como formação Yedoma. Esse terreno permanece constantemente abaixo de 0°C, funcionando como um freezer natural que preservou o organismo intacto.

A datação por radiocarbono confirmou a idade da amostra: o verme foi “pausado” muito antes da invenção da escrita ou da construção das pirâmides do Egito.

O truque biológico da “morte aparente”

A sobrevivência por tanto tempo não foi sorte, mas estratégia. O rotífero entrou em criptobiose, um estado onde o metabolismo praticamente para. É o modo de segurança máximo da natureza, permitindo que o organismo resista a condições que matariam quase qualquer outra espécie:

  • Frio intenso: sobrevivência garantida abaixo do ponto de congelamento;
  • Falta de oxigênio: funções vitais mantidas sem necessidade de trocas gasosas;
  • Desidratação extrema: preservação das células mesmo com a perda de água.

Antes desse achado, a ciência estimava que esses animais suportavam apenas 10 anos no gelo. Agora, o recorde saltou para 240 séculos.

Rotina de um recém-descongelado

Assim que o gelo derreteu, o verme não perdeu tempo. Em poucos dias de laboratório, o organismo retomou a locomoção imediata e voltou a filtrar nutrientes para se alimentar.

O passo seguinte foi a expansão da espécie: o animal iniciou a partenogênese, um processo de reprodução assexuada onde a fêmea gera clones de si mesma sem precisar de um parceiro.

Limites entre a ficção e a realidade

Embora o retorno do “verme-zumbi” lembre roteiros de ficção científica, os pesquisadores descartam a aplicação do método em animais de grande porte. Existe uma barreira biológica intransponível entre descongelar um organismo microscópico e tentar o mesmo com mamíferos.

Em seres complexos, o gelo rompe as estruturas celulares e destrói tecidos de forma irreversível. A “ressurreição” biológica, por ora, permanece restrita aos habitantes microscópicos do permafrost.