Curiosidades
3I/ATLAS: estudo revela novas pistas sobre origem de cometa misterioso
Análise indica que o cometa interestelar pode ter se formado em um sistema estelar muito antigo, oferecendo pistas sobre as primeiras fases do Universo
O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto já identificado vindo de fora do Sistema Solar, pode ser mais antigo do que se imaginava. Um novo estudo sugere que ele teria se formado ao redor de uma estrela primitiva, em um período em que o Universo ainda era pobre em elementos químicos pesados.
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O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto conhecido vindo de fora do Sistema Solar, pode ser um verdadeiro “fóssil cósmico”. Um estudo publicado na revista científica Nature Astronomy indica que o corpo celeste pode ter se formado ao redor de uma estrela muito antiga, em uma fase inicial da história do Universo.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade de Liège, na Bélgica. Para o estudo, os pesquisadores utilizaram o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, para analisar a composição química do cometa.
Pela primeira vez, foi possível medir as proporções isotópicas de um objeto interestelar, uma espécie de “assinatura química” que revela as condições em que ele se formou.
Segundo os cientistas, o 3I/ATLAS apresenta proporções incomuns de carbono e nitrogênio, o que indica que ele pode ter surgido em um sistema planetário ao redor de uma estrela de baixa metalicidade — ou seja, com poucos elementos mais pesados que o hélio.
Esse tipo de estrela é associado às primeiras gerações do Universo, formadas quando ele ainda era jovem e menos enriquecido por elementos produzidos em explosões estelares.
Se a hipótese estiver correta, o cometa pode ser mais antigo que o próprio Sistema Solar, com idade estimada em mais do que o dobro dos 4,6 bilhões de anos do Sol.
Os pesquisadores destacam que o 3I/ATLAS oferece uma oportunidade rara de estudar a formação de sistemas planetários distantes e antigos.
Cometas interestelares são objetos que se formam ao redor de outras estrelas e acabam sendo ejetados de seus sistemas. Em casos raros, eles cruzam o Sistema Solar — como aconteceu com o ʻOumuamua, em 2017, e o 2I/Borisov, em 2019.
Agora, à medida que o 3I/ATLAS se afasta do Sol, ele perde brilho e se torna mais difícil de ser observado. Ainda assim, cientistas acreditam que sua passagem ajuda a abrir caminho para novas descobertas sobre objetos vindos de outros sistemas estelares.