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Curiosidades

Descoberta mostra rato que vive em uma das maiores altitudes do planeta

Estudo aponta que a produção de energia nas células é a principal estratégia de um roedor para viver onde poucos mamíferos conseguem chegar

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Rato desafia a ciência ao viver onde quase nenhum mamífero resiste
Os ratos-de-orelhas-folha-andinos ( Phyllotis vaccarum ) podem viver a uma altitude de 6.739 m — Foto: MARCIAL QUIROGA-CARMONA

Um pequeno rato encontrado no topo do vulcão Llullaillaco, na fronteira entre Chile e Argentina, está mudando o que os cientistas sabem sobre os limites da vida.

Um estudo publicado na revista Science revelou como o animal consegue sobreviver a quase 7 mil metros de altitude, mesmo enfrentando frio intenso, pouco oxigênio e escassez de alimento.

Descoberta muda o entendimento sobre as grandes altitudes

Até pouco tempo, a comunidade científica acreditava que mamíferos não conseguiam viver de forma permanente em locais tão altos. No entanto, a presença do rato no topo dos Andes levou pesquisadores a investigar como a espécie consegue permanecer em um ambiente considerado extremo.

Para começar, a equipe analisou o DNA de animais encontrados em diferentes altitudes. Além disso, realizou testes em laboratório para reproduzir as condições de frio e baixa concentração de oxigênio registradas nas montanhas. Como resultado, os cientistas identificaram mudanças importantes no funcionamento do organismo.

Produção de energia garante a sobrevivência

Os resultados mostraram que a principal vantagem do roedor não está no sangue. Em vez disso, o diferencial aparece na forma como suas células produzem energia.

Os músculos da espécie possuem uma quantidade maior de mitocôndrias, estruturas responsáveis por gerar energia dentro das células. Por isso, o animal consegue produzir calor por mais tempo e manter a temperatura corporal mesmo em condições severas.

Em outras palavras, o organismo aproveita melhor o pouco oxigênio disponível. Assim, o rato continua ativo mesmo em um ambiente onde outros mamíferos dificilmente conseguiriam sobreviver.

Alimentação também faz parte da estratégia

O frio e a falta de oxigênio não são os únicos desafios. Além disso, encontrar alimento em uma altitude tão elevada também exige adaptações.

Segundo o estudo, a sobrevivência depende da capacidade de aproveitar diferentes fontes de alimento, entre elas:

  • líquens que crescem sobre as rochas;
  • sementes carregadas pelo vento;
  • pequenos insetos que chegam às áreas mais altas.

Ao mesmo tempo, as análises genéticas mostraram que o organismo desenvolveu mecanismos capazes de processar compostos presentes em algumas plantas. Dessa forma, o animal amplia suas opções de alimentação em um ambiente onde os recursos naturais são escassos.