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Categorias de base: entre o sonho e a necessidade

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As categorias de base dos grandes clubes são um assunto complexo. Vistas como salvação técnica e financeira das instituições esportivas, muitas vezes são criticadas por não funcionarem como deveriam. Mas realmente não há uma fórmula que garanta sucesso.

Por mais que as diretorias invistam, contratem, montem equipes de “olheiros” e aprimorem processos, não há garantia de sucesso. Mesmo clubes que são famosos por aproveitarem muitos pratas da casa, nem sempre se dão bem, como é o caso do Santos, que luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Além de formar bem os garotos, esportiva e socialmente, é preciso cuidado na hora de lançá-los no time principal. Futebol profissional é bem diferente das divisões inferiores, o grau de cobrança é infinitamente superior, a exigência física é muito maior. E a própria relação com o “mundo exterior” muda completamente a partir do momento em que o atleta é exposto quase diariamente na mídia, se transformando em celebridade.

É muito mais fácil para uma comissão técnica colocar um jogador formado em casa quando o time está encaixado taticamente, fazendo boa campanha na temporada e com apoio da torcida. Um ambiente assim favorece o desenvolvimento das potencialidades do jovem atleta, que tem tranquilidade para arriscar jogadas. Os erros, naturais para qualquer um que está começando, são relevados. Em contrapartida, se a equipe estiver mal, a cobrança tende a ser excessiva e pode “queimar” uma promessa.

O mesmo vale na hora de negociar uma “joia” da base. Se o clube está equilibrado financeiramente, pode esperar por uma proposta que considere adequada. Já se estiver com as contas atrasadas, será obrigado a aceitar valor abaixo do estipulado pelo mercado.

Pegando o Cruzeiro como exemplo, a campanha ruim da equipe pode tornar o momento inadequado para o aproveitamento de jogadores como Ruan Índio, Fernando e João Pedro, destaques da equipe sub-20 que acaba de se sagrar campeã mineira e da Copa do Brasil da categoria. Por outro lado, se eles forem escalados por absoluta necessidade e derem resposta positiva, vão ganhar moral para a sequência da carreira, seja na própria Toca da Raposa II, seja em outro grande clube pelo mundo.

Não é uma decisão fácil. Mas a situação pode condicionar a tomada de decisão. Que ela seja a melhor para a instituição, qualquer que seja ela, e também para os aspirantes a craques.

Frankenstein mineiro

Como escrito anteriormente, o Cruzeiro luta contra o rebaixamento nesta reta final de Campeonato Brasileiro, assim como o América. No caso do Coelho, a queda parece inevitável, principalmente porque a defesa falha demais e é a mais vazada da competição, ao lado do Coritiba, com 54 gols sofridos em 26 jogos. Já a Raposa não consegue fazer gols e tem o segundo pior ataque da Série A, com 24 bolas nas redes adversárias, melhor apenas que o Internacional, que fez 23.

Assim, um time que tivesse a eficiência ofensiva americana – que não é das melhores, mas dá para o gasto, com 29 gols marcados – e a solidez defensiva celeste – 22 gols sofridos, terceira melhor marca, ao lado do Palmeiras – estaria em situação tranquila no Brasileiro. É o caso do Atlético, que soma 40 pontos e está em nono lugar na tabela de classificação. O Galo marcou 30 gols e sofreu apenas 21, sendo superado nesse quesito apenas pelo líder Botafogo, que só teve a defesa vazada em parcas 16 oportunidades.

Claro que isso não é possível, mas os números podem direcionar os esforços dos dirigentes dos dois clubes na hora de planejar 2024. O ideal seria ambos se manterem na elite do futebol nacional. Mas se não der, também é importante ser certeiro para montar o time que disputará a sempre acirrada Segunda Divisão.

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