Esportes
Copa do Mundo: por que o brasileiro para tudo quando o Brasil joga?
Pesquisa revela como a Copa ativa pilares do bem-estar dos brasileiros, como pertencimento, conexão social e esperança
Uma pesquisa inédita com 1.500 brasileiros revela por que o país para durante a Copa do Mundo. O motivo vai além do futebol. Segundo o estudo, o torneio desperta sentimentos que estão entre os principais fatores de bem-estar dos brasileiros, como pertencimento, conexão social e esperança.
Segundo Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade e responsável pelo levantamento, o evento funciona como um catalisador de vínculos. “A Copa não é apenas um evento esportivo. É um fenômeno coletivo que ativa o que mais nos faz felizes: o encontro, o vínculo e o sentido de pertencimento”, afirma.
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Uma felicidade resiliente
O “Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026”, conduzido por Rivetti em parceria com o Instituto Ideia, aponta que 89% dos brasileiros se consideram felizes. Este índice elevado convive com uma alta pressão emocional, já que 33% relatam ansiedade frequente e 29% vivem com estresse.
Para a pesquisadora, isso não demonstra ingenuidade, mas sim resiliência. Diferente de países que lideram rankings globais de felicidade, onde o bem-estar se associa à segurança e confiança institucional, no Brasil a felicidade se sustenta na capacidade de encontrar pontos positivos em cenários adversos.
Por que a Copa amplifica o bem-estar?
Eventos como a Copa do Mundo ativam os principais pilares do bem-estar brasileiro: conexão social, pertencimento e uma segurança emocional momentânea. “É difícil imaginar um brasileiro assistindo a um jogo decisivo sozinho. A experiência, por aqui, é essencialmente coletiva”, explica Rivetti.
Esses momentos oferecem um espaço para a alegria sem culpa ou custo emocional elevado. “Diante de um cenário em que nem sempre é possível se sentir seguro ou confiante no longo prazo, o brasileiro encontra nesses eventos uma espécie de refúgio”, completa a pesquisadora.
A força das relações sociais também ajuda a explicar a subida do Brasil para a 32ª posição no “World Happiness Report 2026”, uma melhora significativa em relação ao 49º lugar de 2023. Rivetti atribui o resultado à forma como os brasileiros constroem o bem-estar a partir das pessoas, e não de instituições.
A pesquisa mostra que a felicidade brasileira não significa negar a realidade, mas sim encontrar formas de seguir em frente. A cada Copa, o país se conecta e experimenta, por algumas semanas, uma versão de vida mais coletiva e feliz.