Esportes

Estado lamentável dos gramados continua

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(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

A péssima condição dos gramados brasileiros continua. Agora com mais um entrando na conta. Fica difícil entender como um estádio que nem havia sido usado, como a Arena MRV, tenha piso tão ruim como o apresentado em alguns pontos durante o jogo entre Atlético e Santos, domingo, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A festa da torcida alvinegra foi linda, o time correspondeu dentro de campo, com vitória convincente e destaque para a dupla de ataque formada por Hulk e Paulinho, mas a grama não estava condizente com o “mais moderno e tecnológico” estádio da América do Sul, como propagandeia a diretoria atleticana.

Reforço: foi o primeiro jogo oficial no local. Então, o mau estado do gramado não se deve ao uso contínuo para jogos, tampouco para shows, quase sempre apontados como vilões no estrago feito nos gramados. Ao menos não foi noticiado que esses eventos tenham ocorrido. Se ocorreram, foi na surdina.

Pelo jeito seremos um país de campos artificiais. Isso se justifica na Europa ou nos EUA, onde as condições climáticas dificultam a manutenção dos pisos naturais, especialmente durante os invernos rigorosos. Por aqui, no local abençoado por Deus e bonito por natureza, não.

E aí entre a questão do sol. Pelo que vi e ouvi, as novas “arenas”, como é o caso do estádio do Galo, e nas quais foram transformados estádios tradicionais como Maracanã e Mineirão, têm coberturas grandes para proteger o público, o que gera “sombra” no gramado e obriga recorrer à iluminação artificial, que obviamente não é tão boa quanto a fornecida pelo astro-rei.

O Morumbi, por exemplo, não sofre do problema. Pelo formato do estádio, sem marquise de concreto ou de lona, há a incidência de luz solar de forma adequada.

Como ninguém pretende demolir coberturas recém-erguidas, vai ser mais fácil instalar o gramado sintético nos estádios. Ou um misto, como feito no Itaquerão e no Allianz Parque.

Se for para acabar com cenas de funcionários ou mesmo jogadores tentando tapar buracos em grandes templos do nosso futebol, que assim seja.

ALERTA COM AS LESÕES MUSCULARES

O futebol cada vez mais intenso e com jogos seguidos vai apresentando a fatura aos grandes clubes. Só no último fim de semana, o Flamengo perdeu De Arrascaeta e Luiz Araújo. América, Atlético e Cruzeiro já foram desfalcados em função de problemas musculares, como nos casos de Aloísio, de Zaracho e de William, respectivamente.

No exterior, Vinícius Júnior vai desfalcar o Real Madrid até outubro devido a estiramento na coxa direita. A lesão também vai tirar o jogador dos compromissos da Seleção Brasileira com a Bolívia, no dia 8 de setembro, em Belém, e diante do Peru, quatro dias depois, em Lima, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026.

Já no Campeonato Saudita, novo eldorado do futebol, Benzema e Vitinho tiveram de sair mais cedo dos jogos de Al-Ittihad e Al-Ettifaq, respectivamente, ontem. Ou seja, o fantasma das lesões musculares também assombra quem está em começo de temporada.

Por isso é tão importante o trabalho dos fisiologistas, profissionais que estudam, entre outras coisas, o desgaste que cada atleta sofre devido às cargas de trabalho a que são submetidos. Muitas vezes a torcida cobra a presença de algum atleta em campo, mas as comissões técnicas são obrigadas a preservá-lo por um ou dois jogos para não perdê-lo por um período bem maior.

Em algumas situações o próprio jogador pede para jogar, pois se sente bem. Mas o risco está lá, invisível a olho nu, mas facilmente detectado por exames cada vez mais precisos. Não dá para ir contra a ciência.

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