Esportes

Somos todos passageiros

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Crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press

O futebol profissional é movido pela paixão dos torcedores, que permitem aos clubes pagar bons salários a jogadores e membros de comissões técnicas. Porém, nem sempre a relação é tranquila. Um ídolo hoje pode virar um vilão amanhã e vice-versa, um técnico chamado de burro em um jogo pode virar gênio em outro.

O certo é que não há ninguém mais importante que o clube. Atletas vêm e vão, assim como treinadores. Dirigentes, por melhor que sejam, passam e é saudável a troca de comando de tempos em tempos para que novas ideias sejam colocadas em prática.

O Cruzeiro, por exemplo, está em processo de renovação no comando e também em campo. Órfã de ídolo desde a saída de Fábio, no começo de 2022, a China Azul se prepara para receber outro goleiro com muita história no futebol, Cássio, que é ídolo da Fiel depois de ajudar o Corinthians a conquistar os títulos mais importantes de sua história, a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes.

Achei que tanto Fábio quanto Cássio terminariam suas carreiras na Toca da Raposa II e no CT Joaquim Grava de tão identificados que eram com os clubes. O primeiro, de 43 anos, esteve em 972 oportunidades na meta celeste, enquanto o segundo, aos 36, chegou a 712 partidas pelo Timão.

Ambos sempre mostraram muito respeito pelas camisas que vestiram e também pelos rivais. Não se envolveram em grandes polêmicas ao longo da carreira e se mostraram lideranças extremamente importantes. Até por isso, Fábio continua contando com a admiração da maioria dos cruzeirenses e o mesmo deve ocorrer com os corintianos em relação a Cássio.

É importante saber que as coisas mudam em qualquer profissão. E no esporte tudo é muito dinâmico. Ronaldinho Gaúcho estará para sempre nos corações e mentes dos atleticanos, graças principalmente ao título da Libertadores de 2013. Porém, já vê Hulk ao seu lado entre os maiores da história do Galo.

A vida passa e temos de ter consciência que não somos insubstituíveis. Perenes são as instituições, que devem ser protegidas e cuidadas não só por quem as dirige, mas principalmente por quem as ama, que são os torcedores.

MAL NA FOTO

O atacante Gabigol vacilou feio ao usar uma camisa do Corinthians. Ainda que estivesse de folga e dentro da própria casa, passou a mensagem que já não está focado no Flamengo, que paga seu salário. Para completar, negou a veracidade da foto que foi vazada nas redes sociais. Além de se equivocar como funcionário do rubro-negro, mentiu.

Por essas e outras que dou razão a um amigo flamenguista, segundo o qual Gabigol nunca estará no mesmo nível de Zico. Mesmo que ganhe mais uma Libertadores e o sonhado bi mundial pelo Urubu, o comportamento dele fora de campo está muito longe do apresentado pelo Galinho de Quintino.

Se ele deseja mudar de ares por estar no banco de reservas do Flamengo, se tem vontade de defender o Timão, não há problema algum. Mas até para isso é preciso ter postura profissional.

O que conseguiu até agora foi se indispor com quem mais o apoiou, a torcida rubro-negra. Mesmo em péssima fase técnica, sempre foi aplaudido, teve o nome gritado nas arquibancadas, foi ovacionado cada vez que entrou no decorrer das partidas.

O pedido de desculpas é pouco. O melhor que ele pode fazer é voltar a marcar gols, como sempre fez. Caso contrário, vai sair do Ninho do Urubu pela porta dos fundos. O que seria uma pena.