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‘País mais feliz do mundo’ quer contratar 140 mil trabalhadores; brasileiros estão entre alvos

País europeu aposta em brasileiros para impulsionar o setor de tecnologia e conter os efeitos do envelhecimento populacional

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Cara sorridente de papel perfurado alegre Happines
Finlândia é conhecido como o 'país mais feliz do mundo' | Imagem de rawpixel.com no Freepik

A Finlândia, frequentemente apontada como o país mais feliz do mundo, está ampliando esforços para atrair trabalhadores estrangeiros — e os brasileiros estão entre os principais alvos. A iniciativa faz parte de uma estratégia para suprir a demanda crescente por profissionais qualificados, especialmente no setor de tecnologia.


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De acordo com estimativas do governo finlandês, o país precisará preencher cerca de 140 mil vagas até 2035, muitas delas em áreas ligadas à inovação e pesquisa. Atualmente, já há centenas de oportunidades abertas, com destaque para funções em tecnologia avançada.

Para facilitar a entrada de profissionais estrangeiros, a Finlândia pretende agilizar a concessão de vistos de trabalho, que poderão ser emitidos em até duas semanas para candidatos que já tenham uma proposta de emprego. Além disso, o país negocia um acordo com o Brasil que permitiria aos trabalhadores manter direitos previdenciários ao retornar.

Demanda impulsionada por mudanças estruturais

A busca por profissionais internacionais está ligada a fatores demográficos e econômicos. O país enfrenta um rápido envelhecimento populacional e baixa taxa de natalidade, o que tem reduzido a força de trabalho local. A expectativa é que cerca de 1 milhão de pessoas se aposentem nos próximos anos, em uma população inferior a 6 milhões.

Outro fator relevante é a diminuição da mão de obra estrangeira proveniente de países como Rússia e Ucrânia, cenário impactado por conflitos recentes na região.

Tecnologia e pesquisa lideram contratações

As oportunidades concentram-se principalmente em áreas de alta especialização, como:

  • inteligência artificial
  • computação quântica
  • semicondutores e microchips
  • tecnologia aplicada à saúde
  • ciências exatas (matemática, física e química)

O modelo finlandês valoriza a integração entre universidades, empresas e o setor público, com forte investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Requisitos e adaptação

Para concorrer às vagas, é essencial ter domínio do inglês, já que não há exigência formal de proficiência, mas a comunicação fluente é indispensável. O conhecimento de finlandês ou sueco não é obrigatório, mas pode representar vantagem competitiva.

Especialistas destacam que o país busca profissionais altamente qualificados, o que pode limitar o acesso de candidatos sem formação ou experiência nas áreas demandadas.

Qualidade de vida como atrativo

Entre os diferenciais oferecidos estão condições de trabalho mais equilibradas. A jornada média é de 37,5 horas semanais, com 25 a 30 dias úteis de férias por ano. A licença parental também se destaca: cerca de 10 meses para mães e cinco meses para pais, superando significativamente os padrões brasileiros.

Apesar dos benefícios, o país apresenta desafios de adaptação, como o clima rigoroso — com temperaturas que podem chegar a -20°C — e períodos prolongados de baixa luminosidade no inverno.

Perspectiva

Com a combinação de escassez de mão de obra e expansão tecnológica, a Finlândia aposta na imigração qualificada como solução para sustentar o crescimento econômico. Para brasileiros com perfil técnico e interesse internacional, o país surge como uma alternativa promissora — ainda que exigente.