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Professora é demitida após usar termo racista em sala de aula

Vídeo da educadora usando o termo racista enquanto falava com alunos repercutiu nas redes sociais e chegou à direção da escola

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professora com alunos em sala
Vídeo da professora em sala de aula foi publicado nas redes sociais | Reprodução / KLAS

Uma professora substituta de uma escola em Las Vegas, nos EUA, foi demitida após ser filmada usando um termo racista durante uma aula. O incidente ocorreu na Centennial High School, onde a docente, que não teve sua identidade revelada, questionou os alunos sobre os motivos de pessoas brancas serem proibidas de usar o termo.

O caso ganhou repercussão após a circulação do vídeo nas redes sociais. As imagens mostram a educadora utilizando a palavra de cunho racista, conhecida como “n-word” nos EUA, diante dos alunos, enquanto questionava por que pessoas brancas não poderiam empregá-la.

No registro, estudantes demonstram surpresa e desconforto, com reações que variam entre espanto, risos nervosos e gestos de incredulidade. A situação se ocorreu em meio a uma conversa sobre linguagem e raça, mas acabou ultrapassando os limites do que a escola considera adequado em sala de aula, de acordo com o NY Post.

Segundo informações divulgadas pela direção, a conduta foi classificada como incompatível com o ambiente educacional, especialmente por envolver um termo historicamente associado à discriminação e à violência contra pessoas negras.

O que é a ‘n-word’?

A chamada n-word é um dos insultos raciais mais conhecidos e carregados de significado na história dos Estados Unidos. Sua origem remete a períodos de escravidão, segregação e políticas discriminatórias. Por esse motivo, muitos especialistas em educação e relações raciais defendem que seu uso por pessoas brancas, em especial em contextos formais como a escola, reforça desigualdades e pode provocar danos emocionais em estudantes negros.

Em ambientes de ensino, o uso da palavra costuma ser tratado como tema pedagógico sensível, normalmente abordado em contextos específicos, como aulas de literatura, história ou estudos culturais, e com mediação cuidadosa.

Diversos distritos escolares adotam diretrizes que orientam professores a evitar repetições literais do xingamento, optando por explicações contextualizadas ou pelo uso de eufemismos, justamente para reduzir o impacto sobre estudantes que pertencem a grupos historicamente alvo desse tipo de ataque verbal.

Após o vídeo, a direção da escola informou às famílias que a professora substituta não faz mais parte do quadro do distrito escolar. A mensagem reforçou que o objetivo central da escola é garantir um ambiente seguro e propício ao aprendizado, sinalizando que discursos com conotação racial negativa não se alinham a essa meta.

A Centennial High School é descrita como uma instituição numerosa e diversa, atendendo cerca de 3.000 alunos, sendo 31% brancos, 19% negros e mais de um terço hispânicos. Dados recentes, segundo o jornal, indicam um aumento nas tensões raciais na escola: no ano letivo passado, foram registrados 17 incidentes de motivação racial, um crescimento significativo em relação aos oito casos reportados no período anterior. Até dezembro de 2025, o ano letivo atual já contabilizava quatro ocorrências dessa natureza.