x

Mundo

Vídeo: paraquedista fica preso à asa de avião durante salto

Durante voo, paraquedista ficou preso e imagens mostram sequências de detalhes; investigação aponta falhas em aeronave

mm

Publicado

em

paraquedista preso
Homem ficou preso enquanto tentava saltar | Reprodução / X / Info Room

Um paraquedista ficou preso à asa de um avião em pleno voo, durante um salto em Mission Beach, no estado de Queensland, na Austrália. O episódio ocorreu durante o evento “Big Ways at the Beach”, voltado a formações aéreas complexas com atletas experientes. As imagens divulgadas pelo Departamento Australiano de Segurança nos Transportes (ATSB) mostram a sequência em detalhes.

Veja o vídeo:

O grupo, formado por 17 paraquedistas, havia partido de Tully em uma aeronave Cessna Caravan operada por um clube local especializado em saltos. A intenção era realizar uma formação com 16 atletas a partir de cerca de 4.500 metros de altitude.

Logo na saída do primeiro participante, porém, a alça do paraquedas reserva ficou presa em uma parte da asa, provocando a abertura acidental do equipamento e mudando completamente o curso do salto planejado.

Momento foi registrado em vídeo

As câmeras instaladas no capacete do atleta e na fuselagem do avião registraram o momento em que o paraquedas reserva se arma de forma inesperada e puxa o paraquedista para fora da aeronave, deixando-o pendurado no ar. Enquanto o equipamento permanecia enroscado na asa, o fluxo de ar e a força de arrasto criavam um ponto de tensão constante. Em meio à tentativa de organizar a sequência de saída, outro atleta acabou sendo lançado pela porta, antecipando o salto.

Preso pelo conjunto de correias, o paraquedista usou uma faca de gancho, item de segurança comum em operações de queda livre, para cortar parte das tiras que o mantinham conectado à aeronave. Somente após se desprender completamente, ele entrou em queda livre controlada e acionou o paraquedas principal. O pouso foi bem-sucedido e os relatos apontam que o atleta sofreu apenas lesões leves, apesar da gravidade potencial da situação.

Impacto na aeronave e no piloto

O peso do paraquedista pendurado modificou o comportamento aerodinâmico do Cessna Caravan. De acordo com o ATSB, o avião foi momentaneamente “arremessado” para cima, com redução significativa de velocidade, o que levou o piloto a acreditar que a aeronave poderia estar entrando em estol, situação em que as asas perdem sustentação. Em meio à confusão inicial, o piloto recebeu a informação de que havia um paraquedista preso na parte traseira do avião, próximo ao estabilizador horizontal.

Com esse dado, o piloto reduziu a potência e trabalhou para estabilizar o voo. Treze paraquedistas conseguiram saltar em sequência, enquanto dois permaneceram a bordo para o pouso. Parte do paraquedas e das linhas permaneceu enrolada na estrutura da cauda, causando danos ao estabilizador horizontal. Diante do cenário de risco, o comandante declarou “MAYDAY” ao Controle de Tráfego Aéreo de Brisbane e chegou a preparar seu próprio paraquedas, caso fosse necessário abandonar o avião em último recurso.

Apesar dos danos visíveis, o piloto conseguiu manter o controle básico da aeronave e direcioná-la de volta para Tully. O pouso foi realizado com a estrutura já comprometida, mas sem vítimas graves entre os ocupantes.

Investigação

O relatório do ATSB indicou que a aeronave não estava dentro dos limites recomendados de peso e balanceamento para aquele tipo de operação. Embora o órgão não tenha apontado esse fator como causa direta do incidente, o desequilíbrio de carga e centro de gravidade é reconhecido como um elemento que pode agravar a perda de controle em situações imprevistas.

A investigação também registrou que o piloto realizou parte do voo em altitude superior à permitida sem uso de oxigênio suplementar, o que aumenta o risco de hipóxia, condição em que há redução do suprimento de oxigênio ao corpo e possível comprometimento de reflexos e tomada de decisão.

Segundo o órgão de segurança, respeitar de forma rigorosa os cálculos de peso, balanceamento e distribuição dos ocupantes é uma prática que já evitou acidentes fatais em operações de paraquedismo. Em aeronaves de pequeno porte, qualquer alteração no centro de gravidade, como a presença de um corpo preso externamente, pode influenciar de maneira relevante o controle de arfagem e a estabilidade em voo.