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“CAMINHO PERIGOSO”: comportamento arriscado de motociclistas aumenta a chance de acidentes

Aumento do número da frota de motos e de carros para transporte de passageiros têm contribuído para conflitos de trânsito.

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Foto: Naiana Andrade

Durante 10 dias neste mês, a equipe do Portal Aqui registrou a conduta de motoqueiros em um ponto específico da capital: a avenida Dom Pedro I, na altura do bairro Santa Mônica, na região da Pampulha em Belo Horizonte. Foram vários flagrantes de imprudência por parte dos motociclistas e, também, de falta de sinalização (acionar a seta) ao mudar de faixa de trânsito dos motoristas. 

Nem os pedestres escaparam. Ao atravessarem fora da faixa, muitos correram o risco de serem atropelados pelos motoqueiros. A imprudência ocorre, principalmente, em um ponto específico: o corredor que faz a linha divisória entre uma faixa e outra de trânsito. “No meu dia a dia, posso dizer que 80% dos motoqueiros de Belo Horizonte e região não têm muito cuidado. De repente, eles aparecem, praticamente do nada. Eles acham que têm prioridade por terem duas rodas”, afirma a corretora de imóveis Renata Melo.

O especialista em trânsito e diretor da Infraplan Consultoria, Silvestre de Andrade, explica que quando um motociclista transita sobre a marca que divide uma faixa da outra no trânsito age de forma errada, embora não exista ainda punição específica no Código Brasileiro de Trânsito para esse tipo de conduta. Por esse motivo, também, não há uma penalidade explicitamente citada. “No entanto, acredito ser passível de multa sim quando o motociclista trafega nesse corredor que marca a mudança de faixa porque ele não está ocupando uma faixa de trânsito (seguindo atrás de um veículo como deveria, por exemplo) conforme prevê o Código Brasileiro de Trânsito”, afirma o especialista. 

Foi o que nossa equipe de jornalismo constatou nos dias em que foram feitos vários vídeos de registro. A linha divisória entre uma faixa de trânsito e outra se transforma em um corredor para a circulação única e exclusiva dos motoqueiros. “Já passei por situações de dar seta para direita (ao estar na faixa do centro) e, de repente, apareceu um motoqueiro e chutou o meu retrovisor. Vi que ele ficou muito bravo. Mas, a velocidade dele era tão grande que você não sabe nem de onde apareceu, em meio ao corredor. Eu fiquei bastante assustada! Imagina ver esse motoqueiro caído no chão? Embora tudo tenha sido provocado por ele, acredito que a responsabilidade acabaria caindo sobre o motorista, se ele não tivesse fugido do local”, afirma Renata Melo.  

O especialista em trânsito explica que há um fator muito importante que deve ser levado em consideração, que é o chamado “ponto cego”. “Nem sempre, os motoristas e motociclistas conseguem enxergar a aproximação de um veículo e, assim, tomar a decisão certa de recuar ou não em uma mudança de faixa ou ultrapassagem para se evitar um acidente. Mas, é importante reforçar, até para a segurança dos motociclistas, que as faixas de divisão de pistas não deveriam ser usadas como corredores para as motos. Isso coloca os motoqueiros em extrema vulnerabilidade para acidente, já que a moto não possui nada que os proteja além do próprio corpo em casos de acidentes”, afirma Silvestre. 

Para o especialista em trânsito, dirigir qualquer veículo é um ato de cidadania e de direção preventiva. “É necessário sempre se pensar no outro. Quando um motociclista que trafega nesse corredor sai buzinando para dizer que está passando ou vai passar pelo local não é garantia de que o motorista de um caminhão ou qualquer outro veículo que queira mudar de faixa vai ouvir o alerta dele. A buzina não é garantia de nada, nesse caso e também não dá “razão” ao motoqueiro!”, afirma. 

Motociclistas transformam corredores entre faixas de trânsito em pista contínua. Falta de legislação contribui para abusos.

Ainda de acordo com Silvestre, o que precisa se pensar sempre é na direção defensiva. Antever o que pode acontecer de errado e se evitar o acidente. “O trânsito é o melhor exemplo de cidadania que temos. Nesse ambiente temos todos os tipos de pessoas em todos os tipos de situações: atrasados, perdidos pelo caminho, os que agem de forma gentil e os que não agem. Os que alertam cuidadosamente antes de cada manobra e os que se apropriam do espaço. Saber como conduzir tudo isso é o que faz a diferença entre um possível acidente ou não”.   

Dados do  Hospital João XXIII, repassados pela FHEMIG, sobre atendimento de acidente envolvendo motos demonstram o aumento do número de casos nos últimos anos. Em 2020 foram 4.423 casos. Em 2021 o número saltou para 4.795 é, até o dia 13 deste mês, já foram 1.214.

além do corredor “improvisado”, o zigue-zague entre faixas e carros são os maiores riscos de acidente, para especialista.

Os números da Fundação Hospitalar do Estado de MInas Gerais (FHEMIG) avaliados pelo especialista em trânsito, Silvestre de Andrade, não apenas refletem que há aumento da frota de motos, o que pode contribuir para o crescimento do número de acidentes, mas, também, sugere a necessidade de se avaliar o que está ocorrendo no trânsito ao ponto de termos tantas vítimas de motocicletas: “imprudência desses condutores ou uma condição violenta, que envolve aqueles que acreditam ter a direção da vida de todos nas próprias mãos?”.

Acidentes de moto em BH

2018: 4133 casos

2019: 4782 casos

2020: 4443 casos

2021: 4795 casos

2022 (até 13/4): 1214 casos

Fonte: FHEMIG – Atendimentos no Hospital João XIII

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