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Juíza intima que assassino confesso de gari defina advogado: ‘Tumulto processual’

A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri – 1º Sumariante da comarca de Belo Horizonte, solicitou formalmente que Renê da Silva Nogueira Júnior, o empresário que confessou ter assassinado o gari Laudemir Fernandes, determine um advogado definitivo para sua defesa. A magistrada enfatizou, nesta quarta-feira (27), que a constante mudança de advogados tem gerado um “tumulto processual” no inquérito policial.

O cenário de instabilidade na defesa de Renê começou em 18 de agosto, quando seus três primeiros advogados – Leonardo Guimarães Salles, Leandro Guimarães Salles e Henrique Viana Pereira, do escritório Ariosvaldo Campos Pires Advogados – apresentaram um pedido de renúncia. A decisão veio após a divulgação de vídeos que registravam os movimentos do empresário depois do crime.

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Depois, Renê constituiu um novo defensor especificamente para o depoimento em que confessou o homicídio. Em seguida, ele selecionou o advogado Dracon Cavalcante. No entanto, em 23 de agosto, ele novamente trocou sua representação legal, escolhendo Bruno Silva Rodrigues, que atua no Rio de Janeiro. Apenas dois dias depois, Renê reconsiderou e, por meio de uma carta, solicitou que Dracon Cavalcante e Bruno Silva Rodrigues atuassem em conjunto.

Diante das mudanças, a juíza determinou a intimação pessoal de Renê para que ele indicasse de forma expressa quem seria seu representante legal no processo.

O crime

O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto, por volta das 9h, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, durante uma confusão de trânsito. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando Renê, dirigindo um carro BYD cinza, se aproximou na contramão. Ele teria ameaçado a motorista do caminhão antes de disparar contra o gari Laudemir de Souza Fernandes, que trabalhava na coleta.

Laudemir, de 44 anos, foi atingido na região torácica e, apesar de ser socorrido no Hospital Santa Rita, em Contagem, não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas relataram que Laudemir chegou a dizer “acertou em mim” antes de morrer e que o suspeito “saiu tranquilo e com semblante de bravo” após o disparo.

Renê fugiu do local no mesmo veículo e foi preso na tarde do mesmo dia, sem oferecer resistência, enquanto estava em uma academia de alto padrão no bairro Estoril. Imagens de câmeras de segurança revelaram que, após o assassinato, o empresário manteve uma rotina aparentemente “normal”

Inicialmente, Renê negou a autoria do crime no depoimento prestado logo após a prisão. No entanto, uma semana depois, durante interrogatório no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele confessou ter matado Laudemir. O empresário alegou que o disparo ocorreu durante uma discussão de trânsito. Ele também afirmou que sua esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, não sabia que ele havia se apoderado da pistola calibre .380, que pertencia a ela. A Polícia Civil confirmou que Renê não tinha porte de arma.

A investigação policial identificou Renê rapidamente, utilizando a placa do veículo envolvido no incidente e colhendo depoimentos de testemunhas. Os delegados Evandro Radaelli e Matheus Moraes do DHPP destacaram que Renê, mesmo sem sinais de embriaguez ou uso de drogas, era “articulado” e “fala bem”. Ele foi autuado por homicídio duplamente qualificado e por ameaça contra a motorista do caminhão.

Esposa é investigada

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê, está sob investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais para apurar sua conduta e a guarda da arma utilizada no crime. A pistola calibre .380 era de uso particular da delegada e não um armamento fornecido pela corporação.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitou a “responsabilização solidária” de Ana Paula e o bloqueio de até R$ 3 milhões de seus bens, priorizando dinheiro em espécie ou depósitos financeiros, para garantir um eventual ressarcimento aos familiares da vítima.

Em seu depoimento, Ana Paula declarou desconhecer qualquer envolvimento do marido em infração penal.

Redação Aqui

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