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Justiça condena madrasta a 49 anos por envenenar enteada e tentar matar irmão da vítima
Crime foi cometido com chumbinho; condenação foi definida pelo Tribunal do Júri
A Justiça do Rio de Janeiro condenou Cíntia Mariano Dias Cabral a 49 anos de prisão pelo assassinato da enteada Fernanda Cabral, envenenada com chumbinho, e pela tentativa de homicídio contra Bruno Cabral, irmão da jovem. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri e a defesa da ré, madrasta das vítimas, informou que pretende recorrer da sentença.
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A decisão foi anunciada pela juíza Tula Mello após a votação dos jurados, que chegaram ao veredito em menos de meia hora de deliberação. Na sentença, a magistrada destacou a gravidade do crime e afirmou que a morte da jovem foi resultado de uma ação planejada.
Durante o julgamento, também foi mencionado que a acusada tentou atribuir o mal-estar de Fernanda ao suposto uso de anabolizantes. Segundo a decisão, essa informação acabou confundindo a equipe médica que realizou o primeiro atendimento da vítima.
Ao encerrar a sessão, a juíza prestou solidariedade à família de Fernanda e de Bruno e afirmou que a decisão judicial representa um momento de resposta da Justiça ao caso. Cíntia Mariano está presa desde julho de 2022 e continuará detida. A sentença determina que ela não poderá recorrer em liberdade.
A mãe de Fernanda e Bruno afirmou que a condenação traz algum conforto para a família, embora não mude a perda da filha. Os advogados que fazem a defesa da acusada declararam que irão recorrer da decisão.
Durante o julgamento, dois filhos biológicos de Cíntia relataram episódios anteriores envolvendo a mãe. Um deles afirmou que, quando era criança, um enteado da mulher precisou ser levado ao hospital depois de ingerir um líquido com cheiro semelhante ao de querosene. Segundo o relato, o caso não recebeu atenção na época, mas voltou a ser lembrado após o envenenamento de Fernanda e Bruno.
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Outro depoimento mencionou que a acusada teria admitido, em conversa com o filho, ter envenenado os dois jovens. De acordo com o relato apresentado no tribunal, ao chegar à delegacia, ela teria tentado atribuir a responsabilidade pelo crime ao próprio filho. Uma das filhas biológicas da ré também contou à Justiça que, quando tinha 12 anos, foi orientada pela mãe a mentir sobre um suposto sequestro ocorrido anos antes.
Como ocorreram os crimes
Fernanda Cabral passou mal na noite de 15 de março de 2022, logo após o jantar. A jovem apresentou sintomas compatíveis com intoxicação, como tontura e visão turva, e precisou ser internada. Ela permaneceu hospitalizada por 13 dias, mas morreu. Inicialmente, a morte foi registrada como decorrente de causas naturais. A suspeita de envenenamento surgiu cerca de dois meses depois, quando o corpo foi exumado e exames confirmaram a presença de veneno.
O segundo episódio ocorreu em 15 de maio do mesmo ano. Bruno Cabral, então com 16 anos, também passou mal após consumir uma refeição preparada pela madrasta. O adolescente contou ter percebido um gosto amargo no feijão e a presença de pequenas bolinhas azuis na comida. Ele foi levado ao hospital, onde passou por uma lavagem estomacal. O procedimento confirmou a presença do veneno no organismo.