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Escravidão Doméstica em BH: vítimas são resgatadas após decádas de trabalho
Fiscalização identificou situação de trabalho análogo à escravidão e encaminhou as vítimas para acolhimento
O combate ao trabalho análogo à escravidão em BH ganhou um novo e dramático capítulo nesta semana. Duas idosas, de 90 e 65 anos, foram resgatadas na manhã desta quinta-feira (3), em Belo Horizonte, após serem submetidas a condições análogas à escravidão.
Segundo a Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais (SRTE-MG), as vítimas trabalhavam em tarefas domésticas havia 75 e 60 anos, respectivamente, sem receber salário ou ter acesso a direitos trabalhistas.
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De acordo com os fiscais, as mulheres foram levadas de um imóvel para outro ao longo dos anos para prestar serviços domésticos para diferentes gerações de uma mesma família.
A fiscalização foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal. Segundo os órgãos, os empregadores alegaram ter uma “relação familiar com as mulheres”. A justificativa, no entanto, não foi aceita pelos fiscais, que identificaram uma relação de subordinação entre as partes.
Além disso, segundo a fiscalização, as vítimas não possuíam direitos patrimoniais que caracterizassem a relação como familiar.
Vítimas são encaminhadas à rede de proteção
Após o resgate, as mulheres foram encaminhadas para acolhimento e passaram a ser acompanhadas pela rede de proteção. Segundo o superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, as duas não possuem familiares ou amigos que possam recebê-las.
Ainda de acordo com Calazans, a Prefeitura de Belo Horizonte irá buscar um abrigo para acolher as vítimas, com profissionais da assistência social, cuidadores de idosos e psicólogos.
As duas idosas passaram anos sem receber salário, sem alimentação adequada, roupas e condições dignas de descanso, segundo o superintendente.
“É uma situação muito isoladora. Como sociedade, temos que fazer tudo para que esse caso não se repita e que essas cenas não existam mais”, afirmou.