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Corretora morta relatou medo de morrer e denunciou ataques antes de desaparecer

Corretora morta relatou medo pela própria vida em e-mail enviado à Justiça meses antes de desaparecer. Documento cita ofensas e pedidos de proteção

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Síndico e filho foram presos suspeitos de envolvimento na morte da corretora Daiane Alves Souza; investigação aponta que o crime ocorreu dentro do condomínio
Síndico e filho foram presos suspeitos de envolvimento na morte da corretora Daiane Alves Souza; investigação aponta que o crime ocorreu dentro do condomínio

A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, encontrada morta em uma área de mata em Ipameri, no sul de Goiás, relatou em documento oficial que tinha medo pela própria vida meses antes de desaparecer.

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Em um e-mail enviado ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, Daiane denunciou ofensas, violência psicológica e perseguições que, segundo ela, partiam de Maicon Douglas de Oliveira e do pai dele, o síndico Cleber Rosa de Oliveira, ambos investigados pelo crime.

No e-mail, enviado para o veículo de comunicação G1, a corretora afirma ter sido alvo de ataques misóginos, ofensas pessoais e tentativas de intimidação. Diante da situação, ela pediu medidas cautelares, incluindo o afastamento dos envolvidos e a retirada de seu nome de qualquer divulgação relacionada ao conflito. “Tenho medo e receio da minha própria vida”, escreveu.

Conflito no condomínio e denúncias formais

Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025, após ser vista pela última vez no prédio onde morava, no centro de Caldas Novas. Na ocasião, ela teria ido ao subsolo do edifício para tentar restabelecer a energia elétrica do próprio apartamento, que estava sem luz.

Antes disso, no entanto, a corretora já havia formalizado denúncias contra o síndico e o filho dele. No documento encaminhado ao juizado, Daiane relata que Maicon Douglas, também corretor de imóveis, teria iniciado uma série de ataques visando impedi-la de atuar profissionalmente nas locações do prédio.

Segundo o relato, as ofensas começaram por meio de mensagens enviadas pelo Instagram. As conversas, segundo o documento, continham termos humilhantes, ataques à condição financeira da vítima, comentários preconceituosos sobre a idade e falas classificadas como etarismo e violência psicológica.

Pedido de urgência e danos morais

Diante do impacto emocional causado pelas agressões, Daiane solicitou à Justiça o deferimento de tutela provisória de urgência, além de indenização por danos morais. O documento cita crimes contra a honra e a dignidade da corretora e destaca o agravamento do sofrimento psicológico.

Ainda segundo o registro, a corretora alegou que as ofensas não eram isoladas, mas recorrentes, o que reforçava o sentimento de insegurança e medo.

Denúncia de agressão física contra o síndico

Além das agressões verbais, Daiane também denunciou ter sido agredida fisicamente pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira. Em maio de 2025, ela procurou a polícia e relatou que foi atingida por um golpe de cotovelo durante uma discussão sobre a falta de água em seu apartamento.

A corretora chegou a gravar o momento da agressão. No depoimento, Cleber negou a versão e afirmou que Daiane o teria empurrado, fazendo com que o celular dela caísse enquanto a gravação era feita.

Prisões e confissão

Cleber Rosa de Oliveira foi preso na madrugada dessa última quarta-feira (28) e confessou o homicídio de Daiane. Segundo a Polícia Civil, ele indicou o local onde abandonou o corpo, em uma área de mata a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas. Os restos mortais foram encontrados em estado de ossada.

Além do síndico, o filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de obstrução das investigações. Um porteiro do prédio foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos, mas o nome não foi divulgado.

Investigação segue em andamento

A Polícia Civil segue apurando as circunstâncias do crime e a possível participação de outras pessoas. As denúncias feitas por Daiane antes de sua morte agora integram o inquérito e reforçam a linha investigativa sobre conflitos anteriores e o histórico de violência contra a vítima.