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Polícia Civil de Minas Gerais prende hacker acusado de fraudar alvarás de soltura

Polícia Civil prende hacker acusado de fraudar alvarás de soltura e acessar ilegalmente sistemas do Judiciário. Investigações seguem em andamento

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Polícia Civil de Minas Gerais prende hacker suspeito de integrar organização criminosa especializada em fraudes no sistema do Judiciário

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, na tarde dessa última quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, dois hackers suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes nos sistemas informatizados do Poder Judiciário. O grupo é investigado por crimes cibernéticos, falsificação de documentos judiciais e lavagem de capitais.

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A prisão integra a segunda fase da Operação Veredicto Sombrio, conduzida pela Polícia Civil mineira em conjunto com o Departamento Estadual de Operações Especiais (DEOESP), com apoio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Líder do esquema é recapturado

Entre os presos está Ricardo Lopes de Araújo, de 32 anos, conhecido como “Dom”. Segundo as investigações, ele é apontado como um dos líderes da organização criminosa e suspeito de ter fraudado o próprio alvará de soltura, além de beneficiar outros detentos com documentos falsificados.

A informação da prisão foi confirmada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), por meio das redes sociais. De acordo com o chefe do Executivo estadual, Ricardo já está sendo transferido de volta para o sistema prisional mineiro, após ter fugido de uma unidade em Belo Horizonte.

O segundo suspeito preso na operação ainda não teve a identidade divulgada pelas autoridades.

Fraude permitiu fuga de detentos em BH

O caso veio à tona após quatro detentos deixarem o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Belo Horizonte, no dia 20 de dezembro, ao apresentarem ordens de soltura fraudulentas. Além de Ricardo, também foram beneficiados Wanderson Henrique Lucena Salomão, Nikolas Henrique de Paiva Silva e Júlio César Souza Silva.

Posteriormente, Júlio César foi recapturado dois dias após a fuga. Wanderson voltou ao sistema prisional no último domingo (12). Já Nikolas Henrique segue foragido, segundo informações oficiais.

Uso indevido de credenciais legítimas

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os criminosos não invadiram os sistemas judiciais, mas utilizaram de forma fraudulenta credenciais legítimas de acesso, obtidas de maneira ilícita. Com isso, conseguiram emitir alvarás falsos, alterar mandados de prisão, desbloquear valores retidos pela Justiça e liberar veículos apreendidos.

Em nota, o CNJ informou que as ordens fraudulentas foram identificadas em menos de 24 horas, canceladas imediatamente e comunicadas aos órgãos de segurança para a recaptura dos envolvidos. O órgão também destacou que, até o momento, não há indícios de falha estrutural no sistema nem de envolvimento de servidores do Judiciário.

Investigações seguem em andamento

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o caso está sendo apurado administrativamente, com a instauração de procedimentos internos, além das investigações no âmbito criminal.

Mandados de prisão contra os quatro envolvidos foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. As autoridades seguem em busca do último foragido e apuram a possível participação de outros integrantes no esquema criminoso.