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Saúde

Calorão: quais os principais cuidados com as crianças no verão

O combo verão, piscina, mar e sol é uma delícia, mas traz algumas responsabilidades, especialmente quando falamos de crianças; veja dicas

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crianças pisando em areia de praia
Verão traz cuidados na alimentação, hidratação e pele; confira | Freepik

Com a chegada do verão e das férias escolares, aumenta o tempo que as crianças passam ao ar livre, em viagens ou em atividades como praia, piscina e parques. Essa mudança de rotina traz momentos de lazer, mas também expõe os pequenos a situações que exigem atenção especial. O calor intenso, a maior exposição ao sol e o contato com água e alimentos fora de casa pedem cuidados extras para manter a saúde em dia.

O tema “férias com saúde” ganhou espaço nas conversas entre famílias e profissionais da área pediátrica, especialmente em períodos de altas temperaturas. Nesse cenário, medidas simples de prevenção ajudam a reduzir riscos de desidratação, queimaduras solares, acidentes e infecções. O objetivo não é restringir a diversão, mas criar um ambiente mais seguro para que a criança possa aproveitar o descanso de forma tranquila.

Hidratação

A hidratação é um dos pilares das férias saudáveis para as crianças. Em dias quentes, o organismo perde líquidos com mais rapidez, principalmente quando há muitas brincadeiras, atividades físicas e longos períodos ao ar livre. A indicação, segundo Luciene Custódio, pediatra da Hapvida, é oferecer água várias vezes ao dia, mesmo quando a criança não demonstra sede, já que os mais novos nem sempre conseguem perceber os sinais de desidratação.

Além da água, alimentos ricos em líquidos ajudam a manter o equilíbrio do corpo. Frutas como melancia, melão, laranja, abacaxi e morango são exemplos que podem ser incluídos no lanche da manhã ou da tarde, conforme a médica. Sucos naturais, sem adição de açúcar em excesso, também podem ser usados com moderação. Em contrapartida, refrigerantes e bebidas industrializadas tendem a conter grandes quantidades de açúcar e aditivos, o que não contribui para uma alimentação leve no verão.

Alimentação

As refeições nas férias costumam sair da rotina, mas a recomendação é priorizar pratos de fácil digestão, pouco gordurosos e preparados com ingredientes frescos. Carnes magras, peixes grelhados, saladas variadas, grãos integrais e legumes cozidos ou assados formam combinações equilibradas.

Preparações caseiras com alho, cebola e ervas dão sabor e evitam o uso excessivo de temperos prontos. Quanto menos tempo os alimentos ficarem fora de refrigeração, menor o risco de contaminação, algo relevante em viagens, passeios longos ou piqueniques.

Cuidados com a pele

A exposição solar sem cuidado adequado é um dos principais fatores de risco nas férias de verão. Crianças têm a pele mais sensível, o que aumenta a chance de queimaduras e irritações. Por isso, segundo a pediatra, o uso de protetor solar infantil é indicado sempre que houver atividades externas, mesmo em dias nublados. Em geral, recomenda-se filtro com FPS a partir de 30, aplicado cerca de 20 a 30 minutos antes da saída e reaplicado a cada duas horas ou após entrar na água.

A fotoproteção não deve se limitar ao creme. Roupas com trama fechada, tecidos com proteção ultravioleta, chapéus ou bonés de aba larga e óculos com proteção UV formam uma barreira física importante. Outra medida simples é organizar passeios em horários de menor incidência de raios solares, evitando o período entre 10h e 16h. Ambientes com sombra, como guarda-sóis, tendas e áreas arborizadas, ajudam a reduzir o impacto do calor, sem impedir a recreação.

Vale lembrar que o chamado “mormaço” também pode causar queimaduras, mesmo quando o sol não parece tão forte. Por isso, a orientação é manter o uso de protetor e hidratação nesses dias. Após a exposição, a pele pode se beneficiar de banhos rápidos, com água em temperatura morna, e de hidratantes adequados para o público infantil, sempre com orientação de profissional de saúde quando houver alergias ou doenças de pele pré-existentes.

Atenção a praias e piscinas

Locais com água costumam ser os mais procurados durante as férias de verão, mas também concentram boa parte dos acidentes com crianças. Em piscinas, mar, rios ou cachoeiras, a recomendação central é a supervisão constante de um adulto responsável, mantendo o pequeno sempre por perto. Boias infláveis e pranchas não substituem coletes salva-vidas certificados, sobretudo em ambientes com correnteza ou profundidade maior.

Alguns cuidados adicionais podem reduzir riscos em áreas aquáticas, segundo a médica: verificar se piscinas têm ralos protegidos, evitar brincadeiras de empurrão na borda, impedir corridas em piso molhado e respeitar orientações de salva-vidas em praias. Aulas de natação, inseridas na rotina ao longo do ano, ajudam a criança a desenvolver noções básicas de segurança na água, embora não afastem a necessidade de vigilância.

Fora da água, o verão também traz aumento de quedas, colisões e traumas em brinquedotecas, parques, ciclovias e áreas de lazer. O uso de capacete, joelheiras, cotoveleiras e calçados fechados é indicado para quem anda de bicicleta, patins, skate ou patinete. Roupas confortáveis e atenção a cadarços soltos diminuem o risco de tropeços. Em caso de impacto na cabeça, sinais como sonolência intensa, vômitos repetidos, fala arrastada, convulsões ou saída de líquido pelos ouvidos exigem avaliação médica imediata.

Em viagens, um kit de primeiros socorros adaptado para crianças pode ser útil. Entre os itens frequentemente recomendados estão: antitérmico, antialérgico orientado pelo pediatra, curativos adesivos, gaze, soro fisiológico, pomada para picadas de inseto, álcool em gel e repelente adequado à faixa etária. Todos os medicamentos devem ter dose ajustada ao peso e histórico de saúde da criança, evitando-se a automedicação. Documentos pessoais, carteira de vacinação atualizada e informações sobre o plano de saúde completam a preparação.