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Saúde

Homem sobrevive 48 horas sem pulmões após cirurgia

Equipe médica retirou os órgãos para conter bactéria resistente e manteve paciente vivo até transplante duplo

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Médicos mantêm homem vivo sem pulmões por dois dias
Procedimento inédito nos EUA usou pulmão artificial após infecção grave destruir os órgãos respiratórios de paciente

Médicos da Northwestern Medicine mantiveram um homem vivo por 48 horas após removerem completamente os dois pulmões para conter uma infecção grave resistente a antibióticos.

Durante esse período, um sistema artificial substituiu as funções respiratórias até a realização de um transplante duplo, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (29) na revista científica Med.

O paciente, morador do estado do Missouri, não tinha histórico de doenças. Ele contraiu Influenza B e, em poucos dias, desenvolveu uma pneumonia grave. A infecção destruiu o tecido dos pulmões e começou a afetar outros órgãos.

Transferência em estado crítico

Com a rápida piora do quadro, o homem foi transferido de avião para o Northwestern Memorial Hospital. Ele chegou em estado crítico e já dependia de ECMO, tecnologia usada quando pulmões e coração não conseguem manter a oxigenação adequada do sangue.

Exames identificaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa, resistente a todos os antibióticos disponíveis, inclusive os de última linha. Diante da progressão da infecção, os médicos avaliaram que os pulmões não tinham possibilidade de recuperação.



Retirada total dos pulmões

Como última alternativa, a equipe decidiu remover completamente os dois pulmões para eliminar o foco da infecção. Para manter o paciente vivo, foi utilizado um sistema artificial desenvolvido pelos próprios médicos, capaz de oxigenar o sangue e sustentar a circulação durante o período sem os órgãos respiratórios.

Além de fornecer oxigênio, o equipamento reproduziu o papel dos pulmões na circulação sanguínea. Isso evitou sobrecarga no coração, que poderia levar à parada cardíaca sem esse tipo de suporte.

Melhora rápida do organismo

A resposta do corpo foi observada em poucas horas. Em menos de 24 horas, indicadores de sofrimento do organismo voltaram ao normal. Medicamentos usados para manter a pressão arterial foram suspensos, e os sinais de infecção generalizada começaram a diminuir.

Após 48 horas sem os pulmões, o paciente passou por um transplante duplo. A evolução clínica confirmou o controle da infecção e a recuperação da estabilidade do organismo.