Saúde
Mpox no Brasil segue sob vigilância após identificação de nova variante no exterior
Mpox no Brasil segue sob vigilância após identificação de nova variante no exterior. Autoridades reforçam diagnóstico precoce e isolamento
A Mpox no Brasil permanece sob vigilância sanitária, mesmo após a redução significativa de casos em comparação ao surto registrado entre 2022 e o início de 2023. A identificação recente de uma nova variante do vírus no exterior reacendeu o alerta das autoridades de saúde e reforçou a necessidade de monitoramento epidemiológico contínuo.
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De acordo com a infectologista do Lab-to-Lab Pardini, Dra. Melissa Valentini, o cenário atual é mais controlado, mas exige atenção. “Hoje, o Brasil registra casos esporádicos, em volume bem inferior ao observado no auge do surto. Ainda assim, a vigilância precisa continuar, principalmente diante da identificação de uma nova variante fora do país”, afirma.
O que é Mpox e quais são os sintomas?
A Mpox, anteriormente chamada de monkeypox, é causada por um vírus da mesma família da varíola humana, erradicada globalmente em 1980. A mudança de nome ocorreu para evitar estigmatização associada à antiga nomenclatura.
Entre os principais sintomas da Mpox estão:
- Febre
- Aumento dos gânglios linfáticos (linfadenomegalia)
- Lesões na pele, que podem se apresentar como manchas, pápulas ou vesículas
Segundo a especialista, essas lesões podem ser confundidas com catapora ou herpes genital, o que dificulta o diagnóstico inicial. Por isso, a avaliação médica é fundamental diante de sintomas suspeitos.
Mudança no padrão de transmissão
Até 2022, os casos de Mpox fora do continente africano eram raros e, em geral, associados ao contato com animais infectados. No entanto, o surto global daquele ano mudou o padrão epidemiológico da doença.
A transmissão passou a ocorrer predominantemente por contato íntimo, especialmente em relações sexuais desprotegidas. A maior parte dos casos concentrou-se em homens que fazem sexo com homens, embora qualquer pessoa exposta ao vírus possa se infectar.
Além disso, pacientes imunossuprimidos, principalmente pessoas vivendo com HIV com baixa imunidade, apresentaram maior risco de complicações. O Brasil esteve entre os países mais afetados no período e registrou óbitos relacionados à infecção.
Nova variante da Mpox preocupa especialistas
Recentemente, pesquisadores identificaram uma nova variante da Mpox resultante da combinação genética entre linhagens dos clados 1 e 2 do vírus. Casos foram confirmados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, em setembro do mesmo ano.
Até o momento, os episódios não apresentam ligação epidemiológica entre si, o que indica transmissões independentes. No entanto, ainda não há dados suficientes para determinar se a nova variante é mais transmissível ou mais grave.
Por enquanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não alterou as recomendações de prevenção ou classificação da doença. Mesmo assim, especialistas defendem cautela e acompanhamento constante do cenário internacional.
Diagnóstico da Mpox é feito por PCR
O diagnóstico da Mpox é realizado por meio da coleta de material das lesões cutâneas. O exame utiliza a técnica de PCR para identificar o material genético do vírus.
Diante da suspeita clínica, o paciente deve permanecer em isolamento até que todas as lesões desapareçam. Essa medida é essencial para interromper a cadeia de transmissão.
Vacina contra Mpox no Brasil
A vacina utilizada contra a Mpox é a mesma desenvolvida originalmente para a varíola. No Brasil, as doses foram disponibilizadas por meio de doações internacionais, com prioridade para grupos mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas.
Atualmente, não há oferta ampla da vacina na rede pública nem na privada. Por isso, as autoridades reforçam que a principal estratégia continua sendo o reconhecimento precoce dos sintomas e a adoção de medidas de proteção.
Quando procurar atendimento médico?
Especialistas orientam que qualquer pessoa com febre associada a lesões na pele e aumento dos gânglios linfáticos procure avaliação médica, especialmente se houver histórico recente de contato íntimo desprotegido ou exposição a casos suspeitos.
O diagnóstico precoce e o isolamento adequado seguem como as principais ferramentas para evitar novos surtos de Mpox no Brasil.