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Saúde

Sem injeções: Wegovy em comprimido é aprovado nos EUA

Wegovy, medicamento utilizado contra a obesidade, foi aprovado em uma versão em comprimido, diferente das famosas ‘canetinhas’

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Medicamento foi aprovado pela agência reguladora dos EUA | Freepik

A agência reguladora de saúde dos Estados Unidos, a FDA, concedeu autorização para que o Wegovy, medicamento utilizado contra a obesidade, seja comercializado em formato de comprimido. A decisão, anunciada pela farmacêutica Novo Nordisk nesta segunda-feira (22), introduz uma dose diária oral que promete a mesma eficácia das injeções tradicionais na redução de peso.

Até então, os principais fármacos com essa substância ativa, como Wegovy e Ozempic, estavam disponíveis apenas em aplicações injetáveis semanais. A nova formulação oral amplia as opções de uso para pacientes que convivem com o excesso de peso e que já vinham sendo acompanhados com terapias injetáveis.

O remédio em comprimido, conhecido como Wegovy oral, utiliza o mesmo princípio ativo da versão injetável, a semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1. Esse grupo de medicamentos, que também inclui outros produtos concorrentes, vem sendo usado tanto no controle da obesidade quanto no tratamento do diabetes tipo 2. A chegada da formulação em cápsula tende a alterar a rotina de tratamento de parte dos pacientes, especialmente aqueles que apresentam resistência ou dificuldade com a aplicação de injeções.

Como ele age no organismo

Assim como a versão injetável, o comprimido atua imitando o hormônio GLP-1, que participa da regulação do apetite, da saciedade e do controle da glicose. Esse mecanismo contribui para que a pessoa se sinta satisfeita com porções menores de comida e apresente ingestão calórica reduzida ao longo do tempo.

Nos estudos clínicos que embasaram a aprovação do produto pela FDA, o Wegovy oral demonstrou uma perda média de peso em torno de 14% após pouco mais de um ano de uso, quando associado a mudanças de estilo de vida. Esse resultado foi comparado a um grupo que recebeu placebo, no qual a perda de peso ficou próxima de 2%.

Os dados sugerem desempenho próximo ao da formulação injetável de semaglutida, que em análise prévia havia alcançado cerca de 15% de redução de peso corporal em seu estudo principal.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos observados com o Wegovy oral seguem o padrão já conhecido para medicamentos à base de agonistas GLP-1. Os eventos mais relatados envolvem o sistema gastrointestinal, com sintomas como náusea, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal. Nos ensaios, cerca de 7% dos participantes que tomavam o comprimido interromperam o tratamento por conta de reações indesejadas, percentual próximo ao grupo placebo, que ficou em torno de 6%.

Além disso, a forma de uso exige atenção. O comprimido precisa ser ingerido em jejum, com pequena quantidade de água, e há orientação para aguardar aproximadamente 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros medicamentos. Essa rotina pode representar um desafio de adesão para alguns pacientes ao longo dos meses. A titulação de dose também é gradual: inicia-se com uma dose mais baixa, que funciona como período de adaptação, até atingir a dose de manutenção planejada para uso prolongado.

O cenário atual dos remédios para emagrecimento é composto por diferentes opções de agonistas do GLP-1, tanto injetáveis quanto em desenvolvimento na forma oral. O Wegovy oral chega a um mercado em que já circulam nomes como Ozempic (semaglutida injetável para diabetes), Mounjaro e Zepbound, além de novos comprimidos em fase de aprovação, como o orforglipron, da Eli Lilly, também da classe dos GLP-1.

Os estudos de cada produto foram conduzidos de forma separada, o que significa que as comparações diretas entre comprimidos e injeções devem ser feitas com cautela. Ainda assim, alguns números ajudam a entender o panorama:

  1. Wegovy oral: média de 14% de perda de peso em 64 semanas, comparado a 2% com placebo.
  2. Wegovy injetável: cerca de 15% de redução de peso em estudo principal, também versus 2% em placebo.
  3. Orforglipron (comprimido em desenvolvimento): aproximadamente 11% de perda em 72 semanas na dose mais alta, ante 2% com placebo.
  4. Zepbound (tirzepatida): em formulação injetável, chegou a cerca de 21% de perda de peso na dose máxima, contra 3% para o grupo placebo.

Do ponto de vista prático, um ponto que pode pesar na escolha do tratamento é a conveniência. Enquanto o Wegovy oral exige jejum e intervalo sem alimentos ou outros remédios, o orforglipron, nos testes, foi administrado uma vez ao dia sem restrições de horário ou relação com refeições. Esse tipo de diferença pode influenciar tanto a adesão ao tratamento quanto a preferência de quem já fez uso de injetáveis e pretende migrar para uma alternativa em comprimidos.

Qual será o valor?

A discussão sobre o Wegovy oral também passa pelo custo do medicamento e pela cobertura dos planos de saúde. Nos Estados Unidos, o valor divulgado para a dose inicial gira em torno de 149 dólares (cerca de R$ 831) para quem paga integralmente do próprio bolso. À medida que as doses aumentam, o preço tende a subir, embora as empresas não tenham detalhado todas as faixas. Planos de saúde que incluem esse tipo de tratamento costumam reduzir o custo direto para o paciente, por meio de coparticipações menores.

Outras empresas, como a fabricante do orforglipron, anunciaram preços iniciais semelhantes para as primeiras doses, com valores mais altos nas etapas seguintes de titulação. O impacto financeiro para cada pessoa dependerá da duração do uso, da necessidade de doses mais elevadas e da política de reembolso adotada pelo seguro de saúde. A existência de mais de um comprimido de GLP-1 deve estimular comparações entre eficácia, conveniência, tolerabilidade e custo global do tratamento.