Saúde
Você saberia identificar um médico criado por IA? 34,2% dos brasileiros dizem que não
A telemedicina já entrou na rotina de uma parcela dos brasileiros, mas o avanço das consultas online também trouxe novas preocupações para quem busca atendimento pela internet. Uma pesquisa realizada pelo Olá Doutor com 500 adultos de diferentes regiões do país mostra que 46% dos entrevistados já tiveram alguma experiência com telemedicina.
Leia também:
- SUS começa a usar impressão 3D para produzir próteses dentárias
- SUS oferece nova cirurgia que trata glaucoma e catarata de uma só vez
- Canetas emagrecedoras acendem alerta também para a saúde bucal
Entre os principais motivos para utilizar o atendimento remoto estão a avaliação de sintomas, citada por 53,4% dos participantes, as consultas de rotina, com 50%, e o esclarecimento de dúvidas sobre saúde, mencionado por 47,6%.
A modalidade também aparece como alternativa para quem precisa de prescrição ou renovação de medicamentos, finalidade apontada por 33,6% dos entrevistados.
Consultas online deixam de ser opção apenas para emergências
Os resultados indicam que a telemedicina não está restrita a situações inesperadas. O atendimento remoto também aparece associado a necessidades recorrentes, como acompanhamento médico e orientações sobre sintomas.
Além disso, a experiência de parte dos pacientes tem sido positiva. Segundo o levantamento, 37,8% dos entrevistados afirmaram ter tido uma boa experiência com consultas online. Outros 25,4% disseram que se sentiram mais confortáveis com o atendimento digital do que imaginavam.
A percepção também aparece nas recomendações. 19,2% dos participantes afirmaram já ter recomendado uma plataforma ou serviço de telemedicina a outras pessoas.
Segurança dos dados ainda gera dúvidas
Apesar da expansão do atendimento digital, a pesquisa aponta que muitos pacientes ainda não sabem exatamente como funcionam os mecanismos de segurança dessas plataformas.
De acordo com o levantamento, 47% dos entrevistados não sabem como seus dados são armazenados pelas empresas de telemedicina. Além disso, 47,6% demonstraram dúvidas sobre quem pode ter acesso às informações fornecidas durante o atendimento.
Nesse cenário, a segurança digital passa a fazer parte da experiência do paciente. Afinal, além de escolher um profissional e explicar seus sintomas, quem utiliza a telemedicina também precisa verificar se está acessando um serviço legítimo.
Brasileiros têm dificuldade para identificar médicos criados por IA
O avanço da inteligência artificial acrescenta outra camada de preocupação. A pesquisa aponta que 34,2% dos entrevistados se consideram pouco preparados para identificar imagens de médicos geradas por IA em vídeos ou consultas.
A dificuldade também aparece na identificação de plataformas falsas. 40,4% dos participantes afirmaram ter dificuldade ou não saberiam reconhecer um serviço de telemedicina falso. Outros 37,8% disseram que conseguiriam identificar uma plataforma fraudulenta apenas parcialmente.
O tema ganhou relevância com a circulação de conteúdos produzidos por inteligência artificial que simulam médicos e profissionais de saúde. Segundo o material da pesquisa, esses personagens podem apresentar aparência e voz realistas e divulgar orientações sem comprovação científica.
Por isso, a identificação da plataforma utilizada e do profissional responsável pelo atendimento se torna uma etapa importante antes de uma consulta online.
Site e reputação ajudam na escolha
Para os entrevistados que afirmam conseguir reconhecer um serviço confiável, alguns elementos pesam mais na hora de avaliar uma plataforma.
O endereço e o site da empresa aparecem em primeiro lugar, citados por 57,4% dos participantes. Em seguida estão a reputação do serviço, com 49,2%, o CNPJ e as informações da empresa responsável, com 47,8%, e os comentários de outros usuários, mencionados por 45,6%.
Os números mostram, portanto, que a confiança na telemedicina passa também por informações que permitam ao paciente verificar a legitimidade do serviço antes de fornecer dados pessoais ou iniciar uma consulta.
Pesquisa ouviu 500 brasileiros
O levantamento foi realizado com 500 adultos com mais de 18 anos, residentes em diferentes regiões do Brasil e conectados à internet.
Os participantes responderam a oito questões sobre o uso da telemedicina, incluindo frequência de utilização, finalidades das consultas e dificuldades relacionadas aos atendimentos digitais.
Segundo a metodologia apresentada pelo Olá Doutor, a pesquisa considera 95% de índice de confiabilidade e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.