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Brasileiro relata trauma após lutar na guerra da Ucrânia e expõe promessas enganosas

Brasileiro relata que perdeu 28 kg, passou fome, presenciou mortes e enfrentou dificuldades para deixar a guerra na Ucrânia após quase seis meses no front

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Redney Miranda relatou fome, bombardeios, mortes de colegas e dificuldades para deixar a guerra na Ucrânia

A busca por adrenalina levou um brasileiro ao front da guerra na Ucrânia. Meses depois, ele voltou ao país com 28 quilos a menos, traumas psicológicos e relatos de perseguição para conseguir sair da linha de frente. A história foi revelada em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

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Redney Miranda, baiano, decidiu se alistar como voluntário para lutar contra o exército russo, mesmo sem experiência militar. Segundo contou à reportagem, ele alimentava desde a infância o desejo de servir às Forças Armadas. Como não conseguiu ingressar no Exército brasileiro, optou por tentar a experiência no exterior.

Inicialmente, o plano era permanecer 30 dias. No entanto, ele ficou 172 dias, quase seis meses, em território ucraniano.

Guerra na Ucrânia: fome, bombardeios e perda de peso

Durante a entrevista, Redney descreveu uma rotina marcada por escassez de comida e ataques constantes. Segundo ele, a alimentação era baseada em ração militar e, em alguns períodos, praticamente inexistente.

Em um dos relatos, afirmou que chegou a passar três dias consumindo apenas o tempero de macarrão instantâneo. Ao retornar ao Brasil, disse ter voltado com “sessenta e poucos quilos”, após embarcar com cerca de 90 kg.

Além disso, o brasileiro relatou que foi atingido por estilhaços de granada durante um ataque. Ele afirmou que ficou temporariamente com parte do corpo paralisada.

Mortes no front e trauma psicológico

O ex-combatente também contou ao programa que presenciou a morte de 17 colegas. Entre eles, estava um brasileiro identificado como Wagner, conhecido como “Braddock”.

Segundo o relato, o colega saiu da trincheira sem equipamentos de proteção e foi atingido por um drone.

As lembranças da guerra continuam presentes. Redney relatou que a filha pequena associa sua ausência ao “buraco”, em referência à trincheira onde ele se escondia durante os bombardeios. Segundo ele, a criança pergunta se ele “foi para o buraco de novo” sempre que sai de casa.

Tentativa de saída e confronto

Ao decidir deixar o front, o brasileiro afirmou que enfrentou dificuldades. Ele e outros combatentes teriam sido perseguidos por soldados ucranianos ao tentarem deixar a linha de frente.

Segundo o relato, o grupo precisou correr e confrontar militares para alcançar uma cidade próxima e, posteriormente, deixar o país.

Redney retornou ao Brasil em janeiro. A mãe dele afirmou à reportagem que passou meses sem notícias do filho e temia que ele não voltasse vivo.

Brasileiros na guerra da Ucrânia

A guerra na Ucrânia se aproxima do quarto ano. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, 19 brasileiros morreram no conflito desde o início da guerra, enquanto outros 44 permanecem desaparecidos.

A embaixada da Ucrânia no Brasil informou que não recruta brasileiros. Segundo a representação diplomática, quem decide se alistar o faz por conta própria e assume os mesmos direitos e deveres de um cidadão ucraniano em serviço militar.

De volta ao Brasil, Redney tenta retomar a rotina. Apesar disso, admite que ainda enfrenta os efeitos psicológicos da guerra.