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Mãe é acusada de organizar ‘festas sexuais’ e regadas a álcool a adolescentes
Shannon O’Connor, de 51 anos, ficou conhecida na região por “mãe festeira”; além da presença de álcool nos encontros organizados por ela, também há relatos de abusos
Uma mulher da Califórnia (EUA), de 51 anos, conhecida como “mãe festeira”, foi considerada culpada por orquestrar festas regadas a bebidas alcoólicas e atos sexuais envolvendo estudantes de ensino médio. Após um julgamento que durou três meses, o júri a condenou na última quarta-feira por 48 acusações criminais, que incluem abuso sexual, colocar crianças em perigo e fornecer álcool a menores.
As acusações contra Shannon O’Connor relatam um cenário em que adolescentes, muitos deles colegas de escola do próprio filho da ré, participavam de encontros privados em residências e imóveis alugados. Nessas ocasiões, segundo o processo, havia grande oferta de bebidas alcoólicas e ausência de supervisão adequada.
O promotor do caso destacou que os relatos dos jovens indicam não apenas consumo de álcool, mas também situações de vulnerabilidade que favoreceram agressões e exposição a comportamentos de alto risco.
“Mãe festeira”
A figura da chamada “mãe festeira”, como ficou conhecida Shannon O’Connor, tornou-se um símbolo de preocupação entre famílias na região de Los Gatos, na Califórnia. De acordo com as investigações, as festas ocorreram principalmente entre 2020 e 2021, período em que muitos adolescentes já enfrentavam isolamento social e mudanças de rotina. Nesse contexto, encontros privados passaram a ser vistos por alguns jovens como alternativa de socialização, o que facilitou a adesão sem que todos tivessem clareza dos riscos envolvidos.
Os autos do processo apontam que grande parte dos participantes tinha cerca de 14 anos e cursava o primeiro ano do ensino médio. Depoimentos descrevem meninas tratadas como “objetos sexuais” e meninos incentivados a ultrapassar limites de respeito e consentimento.
Em várias ocasiões, segundo testemunhas, não havia possibilidade real de recusa ou saída segura do ambiente, o que caracterizou não só abuso de confiança, mas também desequilíbrio de poder entre adultos e menores.
O Ministério Público do Condado de Santa Clara enfatizou que a expectativa da sociedade é que adultos protejam crianças, inclusive quando não são seus filhos biológicos. No entendimento da acusação, a chamada “mãe festeira” teria feito o oposto: favorecido situações de vulnerabilidade emocional, física e psicológica.
O julgamento, que se estendeu por vários meses, reuniu depoimentos de múltiplos adolescentes, cada um associado a uma acusação específica, que resultou na condenação da ré.
As penas previstas para esse conjunto de crimes dos quais ela é acusada podem somar até 30 anos de prisão na Califórnia, dependendo da decisão final do juízo na fase de sentença.