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Arquivos Epstein: documentos citam Belo Horizonte em e-mails e relatórios empresariais

Arquivos Epstein citam Belo Horizonte em e-mails e documentos empresariais divulgados pela Justiça dos EUA; registros não indicam crimes na cidade

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Belo Horizonte é mencionada em e-mails e relatórios que integram os chamados arquivos Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos
Belo Horizonte é mencionada em e-mails e relatórios que integram os chamados arquivos Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos

O nome Belo Horizonte aparece ao menos dez vezes nos chamados arquivos Epstein, conjunto de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As menções surgem principalmente em trocas de e-mails entre o financista Jeffrey Epstein e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, investigado como um dos principais colaboradores no esquema internacional de exploração sexual de menores.

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Apesar da repercussão, os documentos não apresentam, até o momento, qualquer evidência de crimes cometidos na capital mineira. As citações se limitam a referências em comunicações pessoais e registros empresariais anexados ao material divulgado.

E-mails mencionam passagem por Belo Horizonte

Em uma das mensagens com o assunto “Belo Horizonte”, Epstein questiona: “Onde é isso?”. Em seguida, Brunel responde de forma direta: “No meio do Brasil”. Em outro trecho, o agente comenta que a viagem não seria “a mais bonita”, ao se referir à cidade.

Crédito: Reprodução / U.S. Departament of Justice

Além disso, um e-mail datado de 27 de março de 2014 indica que Brunel esteve em Belo Horizonte naquele período. Na mensagem, ele relata dificuldades logísticas durante a viagem ao Brasil, incluindo o cancelamento de um voo e problemas na confirmação de hospedagem em Porto Alegre.

Crédito: Reprodução / U.S. Departament of Justice

Segundo o próprio relato, ele estava em Belo Horizonte a caminho de São Paulo para uma reunião rápida em aeroporto. No entanto, após contratempos com voos e hotel, decidiu cancelar compromissos e retornar a Nova York. Na mesma mensagem, ele ainda comenta que a Copa do Mundo de 2014, que começaria menos de 80 dias depois, poderia ser “caótica”.

Os registros não esclarecem se Brunel permaneceu na cidade ou apenas fez conexão aérea na Região Metropolitana.

Capital mineira também aparece em relatórios financeiros

Além das mensagens pessoais, os arquivos Epstein incluem documentos de natureza empresarial. Entre eles, um relatório da agência Bloomberg menciona declaração de um analista da corretora H.H. Picchioni, identificada como sediada em Belo Horizonte, ao comentar a venda de participação do investidor George Soros na Petrobras em 2015.

Outro documento anexado cita a unidade do restaurante Fogo de Chão na Savassi, inaugurada em 2006, dentro de um prospecto empresarial.

Dessa forma, o nome da capital mineira surge tanto em comunicações privadas quanto em registros corporativos incluídos no acervo divulgado pela Justiça norte-americana.

O que são os arquivos Epstein

Os chamados arquivos Epstein reúnem milhões de páginas relacionadas às investigações sobre Jeffrey Epstein. O financista foi acusado de comandar uma rede internacional de exploração sexual de meninas menores de idade. A Justiça dos Estados Unidos determinou a divulgação do material para dar publicidade aos documentos vinculados ao caso.

Epstein foi preso em julho de 2019 e morreu no mês seguinte, em uma cela em Nova York. As autoridades classificaram a morte como suicídio, o que gerou questionamentos públicos e ampla repercussão internacional.

Já Jean-Luc Brunel enfrentou denúncias na França por estupro de menores e foi apontado por vítimas como responsável por recrutar jovens para o círculo de Epstein. Ele foi encontrado morto em fevereiro de 2022, em uma prisão em Paris.

Não há indícios de crimes em Belo Horizonte

Até o momento, as citações a Belo Horizonte nos arquivos Epstein não indicam práticas ilegais ocorridas na cidade. Os documentos divulgados revelam apenas menções ao nome da capital mineira em e-mails e relatórios que integravam o material apreendido nas investigações.

Assim, embora o caso continue a despertar interesse internacional, as referências à cidade permanecem restritas ao contexto documental já tornado público pelas autoridades dos Estados Unidos.